Efeito do tratamento termoquímico (óleo essencial e calor) no crescimento microbiano durante a vida útil de mexilhões (Perna perna) processados em embalagens flexíveis

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Efeito do tratamento termoquímico (óleo essencial e calor) no crescimento microbiano durante a vida útil de mexilhões (Perna perna) processados em embalagens flexíveis

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Título: Efeito do tratamento termoquímico (óleo essencial e calor) no crescimento microbiano durante a vida útil de mexilhões (Perna perna) processados em embalagens flexíveis
Autor: Costa, Jean Carlos Correia Peres
Resumo: O estado de Santa Catarina é o maior produtor de moluscos bivalves do Brasil. Por ser um alimento altamente perecível, estratégias para prolongar a sua vida útil têm motivado vários estudos. A aplicação de óleos essenciais como conservantes naturais é uma alternativa eficaz na conservação de alimentos, devido ao seu poder antimicrobiano. O tratamento térmico rigoroso, muitas vezes aplicado para garantir a estabilidade microbiológica dos alimentos, pode levar à perda de nutrientes e afetar as características sensoriais desses produtos. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da aplicação de tratamento termoquímico (óleo essencial de orégano (O.E.O.) e tratamento térmico (pasteurização)) sobre a vida útil de mexilhões processados em embalagens flexíveis. Primeiramente, comparou-se a eficácia do óleo essencial de orégano e do óleo essencial de manjericão (O.E.M) em diferentes concentrações (0,2 e 0,4 % (v/m)) sobre os micro-organismos patogênicos e deteriorantes em mexilhões pré-cozidos. Quatro tratamentos foram realizados: P1 (controle), P2 (0,2 % de O.E.O.), P3 (0,4 % de O.E.O.) e P4 (0,4 % de O.E.M.). As análises para patogênicos foram realizadas para amostra P1 (controle) no primeiro e sétimo dia de armazenamento e para as demais no sétimo dia. Os resultados mostraram que nas duas concentrações testadas, os óleos apresentaram potencial antimicrobiano. O O.E.O. na concentração de 0,4 % (v/m) foi ligeiramente melhor no atraso do crescimento dos grupos microbianos estudados. Quatro tratamentos foram realizados para as amostras de mexilhão (Perna perna): A1 (controle, sem O.E. e sem tratamento térmico), A2 (tratamento térmico), A3 (O.E.O. sem tratamento térmico), A4 (O.E.O. com tratamento térmico). Os mexilhões foram massageados com O.E.O.(amostras A3 e A4), embalados em embalagens flexíveis e submetidos à pasteurização (80 °C/10 minutos) e armazenados a 4, 10 e 15 °C. A vida útil dos mexilhões foi acompanhada pelo crescimento microbiano até as contagens atingirem 107 UFC/g (bactérias ácido lácticas, contagem total de mesófilos, psicrófilos e psicrotróficos), pelo pH e comparada sensorialmente (visual e olfativamente), além da análise de patogênicos para amostra A1. As contagens de Coliformes termotolerantes (45 °C) e E. coli, entre o primeiro e o sétimo dia de armazenamento, não ocorreram mudanças no crescimento. As Contagens de Estafilococos Coagulase Positiva e Vibrio parahaemolyticus mantiveram-se constantes em <3NMP/g. Os resultados não foram conclusivos em relação à ação antimicrobiana de inativação da Listeria monocytogenes pelo O.E.O. Através da análise sensorial, foi possível identificar odor desagradável que aparecia em tempos correspondentes à contagem microbiana elevada. Houve um decréscimo de pH para todas as amostras analisadas. A segunda etapa do estudo foi ajustar o modelo preditivo de crescimento de Baranyi e Roberts para se obter os parâmetros de crescimento e prever a vida útil de mexilhões processados. A vida útil dos mexilhões armazenados a 4 °C foi de 21 dias para a amostra A1 (controle) e A2 (tratamento térmico), 31 e 51 dias para as amostras A3 (O.E.O. sem tratamento térmico) e A4 (O.E.O. com tratamento térmico), respectivamente. A vida útil dos mexilhões armazenados a 10 °C foi de 5 dias para as amostras A1 e A2, 8 dias para a amostra A3 e 12 dias para a amostra A4. As amostras armazenadas a 15 °C tiveram uma vida útil reduzida, sendo de 2 dias para amostra A1, 5 dias para a amostra A2 e A3 e de 10 dias para A4. Pode-se concluir que o O.E.O. teve efeito antimicrobiano nos micro-organismos estudados e que o tratamento termoquímico prolongou a vida útil de mexilhões para mais 30 dias, quando armazenados a 4 °C. Os resultados obtidos nesse trabalho são úteis para descrever a variação dos parâmetros microbiológicos com a temperatura de armazenamento de produtos tratados termoquimicamente e torna-se uma ferramenta útil para as indústrias processadoras de mariscos.<br>Abstract : Santa Catarina state is the largest producer of bivalve molluscs in Brazil. For being a perishable food, strategies to prolong shelf life have motivated several studies. The application of essential oils as natural preservatives is an effective alternative in food preservation due to its antimicrobial power. The strict heat treatment, often applied to ensure food microbiological stability, can lead to nutrients losses and affect the sensory characteristics of the products. The objective of this work was to evaluate the effect of thermochemical treatment (oregano essential oil (O.E.O.) and heat treatment (pasteurization)) on processed mussel shelf life in flexible packaging. First, it was compared the efficacy of the essential oil of oregano and basil essential oil (B.E.O.) in different concentrations (0.2 and 0.4 % (v/w)) on spoilage and pathogenic microorganisms in pre-cooked mussels. Four treatments were used: P1 (control), P2 (0.2 % O.E.O.), P3 (0.4 % O.E.O.) and P4 (0.4 % B.E.O.). Pathogens were analyzed for sample P1 (control) in the first and seventh day of storage and the other on the seventh day. The results showed that, at tested concentrations, oils exhibited antimicrobial activity. The O.E.O. in the concentration of 0.4 % (v/w) was slightly better in the delay the growth of microbial groups studied. Four associated treatments were performed for samples of mussel (Perna perna): A1 (control), A2 (heat treatment), A3 (O.E.O. without heat treatment), A4 (O.E.O. with heat treatment). The mussels were massaged O.E.O (samples A3 and A4), packaged in flexible packagings and submitted to pasteurization (80 °C/10 min) and stored at 4, 10 and 15 ° C. The shelf life of mussels was accompanied by microbial growth until the counts reach 107 CFU/g (lactic acid bacteria, total count of mesophilic, psychrotrophic and psychrophiles), the pH and compared sensory (visual and olfactory), besides the analysis of pathogenic sample A1. Counts Thermotolerant coliforms (45 °C), and E. coli, between the first and seventh days of storage there were no changes in growth. Counts for Coagulase Positive Staphylococci and Vibrio parahaemolyticus remained constant at <3NMP / g. Results were inconclusive regarding to O.E.O. antimicrobial effects on Listeria monocytogenes. Through sensory evaluation, it was possible to identify odor that appeared at times corresponding to elevated microbial counts. A decrease in the pH for all samples was observed. Baranyi and Roberts model was fitted to growth curves to obtain growth parameters and predict the shelf life of processed mussels. The shelf life of the mussels stored at 4 °C was 21 days for sample A1 (control) and A2 (heat treatment), 31 and 51 days for the samples A3 (O.E.O. without heat treatment) and A4 (O.E.O. with thermal treatment), respectively. The shelf life of the mussels stored at 10 °C was 5 days for samples A1 and A2, 8 days for the sample A3 and 12 days for sample A4. Samples stored at 15 °C had a reduced shelf life, being 2 days to sample A1, 5 days for sample A2 and A3 and 10 days for sample A4. It can be concluded that the O.E.O. had antimicrobial effect on micro-organisms studied and that the thermochemical treatment prolong the shelf life of mussels for another 30 days when stored at 4 °C. The results of this study are useful for describing the variation of microbiological parameters with temperature storage products thermochemically treated and it becomes a useful tool for the seafood processing industries.
Descrição: Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Tecnológico, Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Alimentos, Florianópolis, 2013.
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/107296
Data: 2013


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