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Abstract:
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A dengue é uma arbovirose causada por vírus do gênero Flavivirus, transmitida
principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, e representa um importante problema
de saúde pública de caráter mundial. A doença apresenta amplo espectro clínico,
variando desde formas assintomáticas ou leves até quadros graves, com evolução
para óbito. A presença de quatro diferentes sorotipos virais (DENV-1, DENV-2,
DENV-3 e DENV-4), no Brasil, possibilita reinfecções, as quais estão associadas a
maior risco de complicações. Observa-se, no país, aumento expressivo da
incidência da dengue, principalmente nas últimas décadas, com impacto significativo
nos serviços de saúde pública. Objetivo: Este estudo visa caracterizar o perfil
epidemiológico de pacientes com dengue no Brasil entre 2014 e 2024. Métodos:
Tratou-se de um estudo ecológico, do tipo descritivo, que utilizou dados
disponibilizados pelo Sistema de Informações e Agravos de Notificação (SINAN), a
análise abrangeu aspectos sociodemográficos (sexo, faixa etária, raça/cor e região
de residência), clínicos (classificação do caso, evolução, hospitalização e sorotipo) e
temporais (ano de notificação e sazonalidade). Os dados foram organizados e
tabulados em planilhas no software Microsoft Excel. Realizou-se a análise descritiva
por meio do cálculo de frequências absolutas e relativas, além de análise temporal
para a avaliação de tendências e sazonalidade. A incidência foi estimada por
100.000 habitantes, utilizando dados populacionais do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatísticas (IBGE). Resultados: No período de 2014 a 2024, foram
registrados mais de 14,6 milhões de casos prováveis de dengue no Brasil, com
aumento ao longo dos anos, especialmente a partir de 2019, culminando em
expressivo crescimento em 2024. Observou-se predominância de casos no sexo
feminino e em indivíduos adultos jovens, sobretudo na faixa etária de 20 a 39 anos.
Em relação à raça/cor, houve maior frequência entre indivíduos autodeclarados
brancos e pardos. A região Sudeste concentrou a maior proporção de casos ao
longo da série histórica, seguida pelas regiões Sul e Centro-Oeste, evidenciando
ampla distribuição geográfica da doença. Quanto às características clínicas, dos
sorotipos declarados observou-se predomínio de DENV-1 e DENV-2, a maioria dos
pacientes não necessitou de hospitalização, e a evolução para cura foi observada na
maior parte dos casos, notou-se também que os óbitos foram expressamente
relevantes nos casos de dengue grave. Conclusão: A dengue apresenta grande
relevância no Brasil, com crescimento expressivo da incidência ao longo do período
analisado e ampla distribuição entre diferentes regiões e grupos populacionais. O
perfil identificado demonstra maior acometimento de adultos jovens e predomínio de
evolução favorável, embora o aumento recente no número de casos e óbitos reforce
a problemática do agravo para a saúde pública. Os achados evidenciam a
necessidade de fortalecimento das estratégias de vigilância epidemiológica,
prevenção e controle, especialmente em contextos de expansão da transmissão. |