Tradução, mercado editorial e capital: o duplo na tradução de autoras negras pela Companhia das Letras e Penguin Random House

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Tradução, mercado editorial e capital: o duplo na tradução de autoras negras pela Companhia das Letras e Penguin Random House

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Title: Tradução, mercado editorial e capital: o duplo na tradução de autoras negras pela Companhia das Letras e Penguin Random House
Author: Ramalho, Hislla Suellen Moreira
Abstract: Esta tese se situa na área dos Estudos Culturais e Sociológicos da Tradução, refletindo como questões e fios extraliterários perpassam a construção, publicação, tradução e até mesmo distribuição das obras (Lambert, 2011; Salgueiro, 2014; Bassnett & Lefevere, 1990; Even-Zohar, 2012; Heilbron & Sapiro, 2009). Abre-se um leque uma vez que não se investiga apenas a produção literária, mas a tradução de conhecimento escrito por autoras negras e como transitam no Brasil com sistemas editoriais hegemônicos, e mercadológicos ? Companhia das Letras e Penguin Random House ? exercendo seu poder e assimilando também o próprio antissistema, o que é complexo e paradoxal. Considerando a tradução como uma atividade que desvela relações de poder e catálogos de editoras como um projeto editorial de expansão, amplificação de determinada voz ou mesmo lucro e consolidação no mercado editorial, esta tese tem como objetivo analisar como as traduções, ? e as ausências de tradução ? de autoras negras incluídas no catálogo da editora Companhia das Letras entre 2000 e 2020, revelam relações de poder no mercado editorial brasileiro. Busca-se compreender de que modo esses processos se articulam tanto em relação à ampliação de vozes historicamente marginalizadas quanto à consolidação de nichos lucrativos, discutindo as tensões entre transformação social, apropriação cultural e mercantilização de saberes. Como metodologia, realizou-se levantamento de obras de autoras negras que escrevem originalmente em língua inglesa e que foram traduzidas entre 2000 e 2020 pela Companhia das Letras relacionando esse e outros levantamentos com o conceito de comodificação de hooks (2019), soft power de Nye (2004), de poder simbólico de Bourdieu (1989) e de colonialidade do poder de Quijano (2000) e Curiel (2020). Esses conceitos são relacionados e costurados com a chave analítica da interseccionalidade discutidas por Crenshaw (1991), Oyewùmí (1997) e Akotirene (2019). As ponderações iniciais abriram espaço para a consideração de um aumento de traduções e produções de autores africanos como maneira de moldar um imaginário social mais equânime tendo em vista as desigualdades estruturais advindas da colonização e do racismo no Brasil. Por outro lado, abriram também espaço para o pensamento mais complexo que é a consolidação de um nicho no mercado editorial, o que implica a apropriação desses conhecimentos para fins lucrativos reproduzindo a exploração dos corpos e mentes de mulheres negras do ponto de vista epistemológico e comodificando (hooks, 2019) noções, conceitos e conhecimentos relevantes, sendo eles assimilados pelo capital, logo, esvaziados de sua significância. Os resultados das análises foram inesperados; apesar do aumento de publicações-traduções de diferentes obras, notou-se que a autoria era, na maioria dos casos, a mesma, sendo Toni Morrison, Zadie Smith e Chimamanda Adichie as principais; fato que colocou a pesquisa para dialogar com questões contratuais (copyrights, commodities e royalties). Para além disso, mostrou-se os projetos editoriais de resistência e reexistência (Souza, 2009) e que envolvem lutas anteriores por uma sociedade mais equânime.Abstract: This work is situated within the field of Cultural and Sociological Studies in Translation, examining how extraliterary issues and threads permeate the construction, publication, translation, and even distribution of works (Lambert, 2011; Salgueiro, 2014; Bassnett & Lefevere, 1990; Even-Zohar, 2012; Heilbron & Sapiro, 2009). A wider spectrum, thus, opens up, as the investigation is not limited to literary production alone, but also addresses the translation of written knowledge (episteme) by Black women authors and how these works circulate in Brazil within hegemonic and market-driven publishing systems ?Companhia das Letras and Penguin Random House ? exercising their power and also assimilating the very anti-system itself, which is complex and paradoxical. By considering translation as an activity that reveals power relations, and publishers? catalogs as editorial projects aimed at the expansion, the amplification of certain voices, or even the profit and consolidation within the publishing market; this work aims to analyze how translations ? and the absence of translations ? of Black women authors included in Companhia das Letras? catalog between 2000 and 2020 reveal power relations in the Brazilian publishing market. It aims to understand how these processes are articulated both in relation to the amplification of historically marginalized voices and the consolidation of profitable niches, discussing the tensions between social transformation, cultural appropriation, and the commodification of knowledge. Methodologically, a survey was conducted of works by Black women authors who write originally in English and whose works were translated by Companhia das Letras between 2000 and 2020, linking this and other surveys to the concept of commodification discussed by hooks (2019), soft power by Nye (2004), symbolic power by Bourdieu (1989), and the coloniality of power by Quijano (2000) and Curiel (2020). These concepts are interrelated and woven together through the analytical lens of intersectionality discussed by Crenshaw (1991), Oyewùmí (1997), and Akotirene (2019). The initial considerations opened space for acknowledging an increase in translations and productions by African authors as a way of shaping a more equitable social imaginary in light of the structural inequalities stemming from colonization and racism in Brazil. On the other hand, they also made room for a more complex line of thought: the consolidation of a niche within the publishing market, which implies the appropriation of this knowledge for profit, reproducing the exploitation of Black women?s bodies and minds from an epistemological standpoint and commodifying (hooks, 2019) relevant notions, concepts, and forms of knowledge, which are absorbed by capital and thus emptied of their significance. The results of the analyses were unexpected: despite the increase in publication-translations of different works, it was perceived that the authorship was, in most cases, the same, with Toni Morrison, Zadie Smith, and Chimamanda Adichie being the main figures. This fact led the research to engage with contractual issues (copyrights, commodities, and royalties). Furthermore, editorial projects of resistance and re-existence (Souza, 2009) that involve earlier struggles for a more equitable society were shown.
Description: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão, Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução, Florianópolis, 2026.
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/273719
Date: 2026


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