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Abstract:
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Este estudo teve como objetivo avaliar a viabilidade técnica e econômica da implantação de um sistema de cultivo em tanques-rede para o pirarucu (Arapaima gigas) na Bacia do Rio Tocantins. A pesquisa foi estruturada por meio de revisão bibliográfica, definição técnica do sistema de produção, análise de mercado e uma avaliação econômico-financeira abrangente do empreendimento. O sistema de produção foi projetado em três fases de crescimento, com povoamentos escalonados bimestralmente, utilizando um total de 132 tanques-rede distribuídos em 14 linhas de produção. A produção anual estimada é de 22.793 kg de peixe inteiro vivo por ciclo, com uma taxa de sobrevivência acumulada de 93,11% e peso médio de abate de 8,5 kg. O investimento inicial foi de R$ 532.378,84. Os custos operacionais efetivos totalizaram R$ 1.463.744,10, sendo R$ 142.113,00 referentes a despesas fixas e R$ 1.463.744,10 a custos variáveis. Foram simulados cinco cenários de preços de venda, variando entre R$ 12,00 e R$ 21,00 por quilograma, utilizando uma Taxa Mínima de Atratividade (TMA) de 12%. Os resultados indicaram que o cenário pessimista (R$ 12,00/kg) é economicamente inviável, apresentando um Valor Presente Líquido (VPL) negativo de R$ -2.319.622,40 e uma Taxa Interna de Retorno (TIR) negativa. O Cenário C, com preço de R$ 16,00/kg, representa o ponto de equilíbrio entre a inviabilidade e a viabilidade econômica, com uma Relação Benefício-Custo (B/C) de 1,04 e TIR de 7,52%. O cenário otimista (R$ 21,00/kg) apresentou os indicadores mais favoráveis, incluindo VPL de R$ 2.393.176,36, TIR de 45,14%, B/C de 1,33 e payback em 3 anos, revelando elevado potencial de retorno econômico. Conclui-se que o cultivo de pirarucu em tanques-rede é tecnicamente viável e economicamente atrativo a partir de um preço mínimo de venda de R$ 16,00/kg, tornando-se altamente lucrativo em cenários de mercado favoráveis. Ressalta-se que a viabilidade não depende apenas da eficiência produtiva, mas também — e sobretudo — da capacidade de posicionamento competitivo e agregação de valor ao produto no mercado. Esse aspecto representa, simultaneamente, o principal desafio e uma grande oportunidade para o avanço da piscicultura de espécies nativas no Brasil. |