Do espanto com a educação brasileira à importância da solidão na formação humana: um olhar simbólico para o papel da solidão em assim falava Zaratustra

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Do espanto com a educação brasileira à importância da solidão na formação humana: um olhar simbólico para o papel da solidão em assim falava Zaratustra

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Title: Do espanto com a educação brasileira à importância da solidão na formação humana: um olhar simbólico para o papel da solidão em assim falava Zaratustra
Author: Souza, Valquiria Vasconcelos da Piedade
Abstract: A presente tese, que investigou a importância da solidão na formação humana, partiu de um espanto com a educação brasileira que, estatisticamente, encontra-se entre as piores do mundo, indicando uma decadência cultural e intelectual, e encontrou na obra Assim falava Zaratustra, através de uma análise simbólica do aspecto positivo da solidão, um redirecionamento para a elevação educativa do homem. A pesquisa foi realizada por meio de uma constelação metodológica que uniu principalmente uma via simbólica, a partir da orientação do filósofo brasileiro Mário Ferreira dos Santos, com outras metodologias adaptadas e simplificadas: ontologia da vida (inspirada no pensamento de Ortega y Gasset); fenomenologia (uma simplificação a partir da filosofia husserliana); e ?como se? (uma adaptação do método stanislavskiano). Para responder a questão ? qual a importância da solidão na formação humana? ? foi necessário percorrer um grande caminho que tentou compreender o que é educação, exemplificando-a através de uma análise simbólica da primeira conferência de Sobre o futuro dos nossos estabelecimentos de ensino de Nietzsche, passando pela tentativa de compreensão do que está acontecendo com o mundo, pois é dele que surgem as diretrizes político-pedagógicas dos estabelecimentos de ensino, para então constatar que a educação brasileira parece não estar educando plenamente. Com o intuito de encontrar uma saída para este problema e intensificar a formação humana, o olhar foi direcionado para a solidão através do seguinte questionamento: o que a solidão pode fazer pela formação humana que os estabelecimentos de ensino parecem não fazer? Com isso, o itinerário investigativo realizou um breve mapeamento da solidão na história humana; permitiu entender que a solidão é diferente do isolamento; exemplificou o que ela é capaz de fazer pelo homem, através da experiência de vida de Nietzsche, Petrarca, Sócrates, Santo Agostinho, Viktor Frankl e Edith Stein; mostrou como a solidão é capaz de ajudar o homem a organizar a sua vida intelectual e atentar-se para a sua vocação; alertou para a tensão que há na solidão: de um lado ela é positiva e guia o homem para a liberdade, do outro lado ela é negativa e pode fazer do homem um prisioneiro dos seus instintos mais baixos; conectou a solidão com o sentido de trágico, direcionando o homem para um momento de decisão: afirmar ou negar a vida. Com o intuito de aprofundar ainda mais na compreensão do que a solidão pode fazer pela formação humana, a questão investigativa desdobrou-se em outra: o que a solidão de Zaratustra, analisada sob uma perspectiva simbólica, pode ensinar para a realização da formação humana? A obra nietzschiana foi entendida como uma narrativa de formação capaz de estimular o encorajamento e a elevação humana, e a solidão analisada na obra revelou-se como a pátria do protagonista, lugar de amadurecimento por excelência, sustentando para ele a liberdade. A solidão mostrou para Zaratustra o poder do sacrifício e a importância do abençoar, sustentando o protagonista em todo o seu trajeto formativo. Ancorado em sua solidão, Zaratustra tornou-se quem ele é: aquele que ensina o caminho para o Além-Homem. A conclusão da pesquisa foi de que a solidão, em seu aspecto positivo, é indispensável à formação humana, sua potência é purificadora e libertadora, ela faz o homem recordar que seu destino é, por excelência, ser uma ponte entre o menos elevado e o mais elevado, o animal e o Além-Homem, buscando, continuamente, ir Além.Abstract: The present thesis, which investigated the importance of solitude in human formation, came from an amazement with the brazilian education that, statistically, is among the worst in the world, indicating a cultural and intellectual decadence, and found in the book Thus spoke Zarathustra, through a symbolic analysis of the positive aspect of solitude, a redirection towards the educational elevation of man. The research was carried out through a methodological constellation that united mainly a symbolic path, based on the guidance of the Brazilian philosopher Mário Ferreira dos Santos, with other adapted and simplified methodologies: ontology of life (inspired by Ortega y Gasset's thinking); phenomenology (a simplification based on Husserlian philosophy); and ?as if? (an adaptation of the Stanislavskian method). To answer the question - what is the importance of solitude in human formation? - it was necessary to go a long way that tried to understand what education is, exemplifying it through a symbolic analysis of the first conference on On the future of educational establishments by Nietzsche, going through the attempt to understand what is happening with the world, because it is from him that the political-pedagogical guidelines of educational establishments emerge, and then we see that brazilian education does not seem to be educating fully. In order to find a way out of this problem and intensify human formation, the look was directed to solitude through the following question: what can solitude do for human formation that educational establishments do not seem to do? With this, the investigative itinerary made a brief mapping of solitude in human history; it allowed us to understand that solitude is different from isolation; exemplified what she is capable of doing for man, through the life experience of Nietzsche, Petrarch, Socrates, Saint Augustine, Viktor Frankl and Edith Stein; it showed how solitude is able to help man to organize his intellectual life and to pay attention to his vocation; warned of the tension in solitude: on the one hand it is positive and guides man towards freedom, on the other hand it is negative and can make man a prisoner of his lowest instincts; connected the solitude with the sense of tragic, directing man to a moment of decision: to affirm or deny life. In order to further deepen the understanding of what solitude can do for human formation, the investigative question unfolded in another: what can Zarathustra's solitude, analyzed from a symbolic perspective, teach for the realization of human formation? The nietzschean work was understood as a narrative of formation capable of stimulating human encouragement and elevation, and the solitude analyzed in the work revealed itself as the protagonist's homeland, a place of maturity par excellence, sustaining freedom for him. The solitude showed to Zarathustra the power of sacrifice and the importance of blessing, supporting the protagonist throughout his formative journey. Anchored in his solitude, Zarathustra became who he is: one who teaches the way to the Beyond-Man. The conclusion of the research was that solitude, in its positive aspect, is indispensable to human formation, its potency is purifying and liberating, it reminds man that his destiny is, par excellence, to be a bridge between the lowest and the highest, the animal and the Beyond-Man, continually seeking to go beyond.
Description: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Florianópolis, 2020.
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/216580


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