(De)colonialidade do saber e pesquisa em educação no PPGE/UFSC: a atitude hermenêutica como percurso (auto)formativo

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(De)colonialidade do saber e pesquisa em educação no PPGE/UFSC: a atitude hermenêutica como percurso (auto)formativo

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Title: (De)colonialidade do saber e pesquisa em educação no PPGE/UFSC: a atitude hermenêutica como percurso (auto)formativo
Author: Pozzer, Adecir
Abstract: Operar com pesquisa no campo educacional é colocar como horizonte os processos formativos. É articular diálogos entre elementos da tradição, da modernidade e da contemporaneidade em determinada temporalidade e espacialidade, bem como reconhecer a dimensão complementar e indissociável entre eles. Uma das funções da pesquisa na pósgraduação em educação é a de criar condições e possibilidades para um determinado tipo de reconhecimento (HONNETH, 2009; RICOEUR, 2006), tanto do investigador, quanto do problema investigado, ou daquilo que permanece no entre-lugares (BHABHA, 2013). Paralelamente ao reconhecimento, há uma tendência de ela reproduzir concepções e práticas padronizantes, monológicas e monoculturais. Nesta tese, estabelecemos interlocução com as pesquisas desenvolvidas no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGE/UFSC), especialmente as teses de doutorado defendidas entre os anos de 1994 e 2014, a fim de identificar, analisar e refletir sobre as delimitações e escolhas epistemológicas e metodológicas que fundamentaram a produção do conhecimento em educação no Programa e que impactaram em processos formativos. Para tal tarefa, assumimos os pressupostos teórico-metodológicos da hermenêutica filosófica (GADAMER, 1997; RICOEUR, 1988, 1989, 2003), por favorecerem a reflexão e a elaboração de argumentos interpretativos relacionados às perspectivas teóricas e metodológicas utilizadas na produção do conhecimento do Programa, no intuito de vislumbrar possibilidades e dificuldades da universidade, seus investigadores e demais agentes, de reconhecerem distintas identidades, alteridades, concepções e práticas formativas, instaurando, na e a partir da pesquisa em educação, processos de decolonialidade do saber (MIGNOLO, 2008, 2010; QUIJANO, 2014; GROSFOGUEL, 2016), enquanto um movimento histórico, dialético e dialógico. Suspeitávamos que haveria uma predominância do pensamento científico cartesiano na produção do conhecimento educacional, perspectiva que dificultaria o reconhecimento de racionalidades latino-americanas, imprescindíveis às relações interculturais (PANIKKAR, 2009; FORNET-BETANCOURT, 2017). Assim, consideramos como horizonte a possibilidade de acessar e tensionar o consensual, o habitual e o hegemônico na pesquisa educacional, evidenciando outras perspectivas que flexibilizem as fronteiras entre o sensível e o inteligível na produção do conhecimento relativo aos processos formativos, enquanto estratégia e atitude hermenêutica decolonial, no intuito de operar, reconhecer e valorizar distintas racionalidades, uma das funções da Filosofia da Educação (SEVERINO, 2019). Todavia, com a pesquisa, nossa suspeita deixa ver que o elemento, inicialmente atribuído à predominância de um pensamento científico cartesiano, refere-se mais a uma incidência adensada de correntes crítico-dialéticas, insuficientes, a nosso ver, para romper com a colonialidade do saber de perspectiva eurocêntrica e ao desenvolvimento de processos compreensivos. Contudo, identificamos pesquisas que instauraram processos decoloniais do saber ao assumirem epistemes latino-americanas e ao problematizarem interculturalmente subalternizações ocorridas ao longo da história da educação brasileira.Abstract: To operate with research in education means to think the formation processes as horizon. It is defined by articulate dialogues between elements of tradition, modernity and contemporaneity in a given temporality and idea of space, as well as to recognize the complementary and inseparable dimension between them. One of the research functions in postgraduate education is to create conditions and possibilities for a certain kind of recognition (HONNETH, 2009; RICOEUR, 2006), both of the researcher and the problem investigated, or of what remains in ?between-places? (BHABHA, 2013). At the same time, there is a tendency for it to reproduce standardizing, monological and monocultural conceptions and practices. The objective of this research is to establish dialogue with the researches developed in the Post-Graduation Program in Education of the Federal University of Santa Catarina (PPGE/UFSC), especially the doctoral theses defended between 1994 and 2014, in order to identify, analyze and reflect on the delimitations and epistemological and methodological choices that sustains the production of knowledge in Education in the Program and that impacts on formative processes. For this effort, the theoreticalmethodological assumptions of philosophical hermeneutics are assumed (GADAMER, 1997; RICOEUR, 1988, 1989, 2003), as they support the reflection and the elaboration of interpretative arguments related to the theoretical and methodological perspectives used in the production of knowledge in the Program, in order to demonstrate possibilities and difficulties of the university, its researchers and other agents, to recognize different identities, alterities, conceptions and formative practices, establishing, in and from research in education, processes of knowledge decoloniality (MIGNOLO, 2008, 2010; QUIJANO, 2014; GROSFOGUEL, 2016), as a historical, dialectical and dialogical movement. We suspect, at first, that there was a predominance of Descartes scientific thinking in the production of educational knowledge, which could made difficult the recognition of Latin American rationalities, indispensable to intercultural relations (PANIKKAR, 2009; FORNETBETANCOURT, 2017). With this, was considered as a comprehensional horizon the possibility of accessing and tensing the consensual, the habitual and the hegemonic in the educational research, turning possible to see other perspectives that make the boundaries between the sensible and the intelligible more flexible in the production of the knowledge related to the formative processes, as strategy and hermeneutic decolonial attitude, in order to operate, recognize and value different rationalities, one of the functions of the Philosophy of Education (SEVERINO, 2019). However, with the research, our suspicion shows that the element, initially attributed to the predominance of Descartes scientific thought, refers more to a dense incidence of critical-dialectical theories, insufficient, in our view, to break with the coloniality of the knowledge from a Eurocentric perspective and the development of comprehensive processes. Nevertheless, we identified research that established decolonial processes of knowledge by assuming Latin American epistemes and by problematizing intercultural subalternations that occurred throughout the history of Brazilian education.
Description: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Florianópolis, 2020
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/216174


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