| Title: | Enfermagem e a equidade no cuidado em saúde mental de mulheres negras em um Centro de Atenção Psicossocial no Sul do Brasil |
| Author: | Corrêa, Camila Pimentel |
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Introdução: O Brasil foi o último país a abolir a escravidão, em 1888, após mais de três séculos de exploração. A ausência de políticas de inclusão deixou a população negra em situação de marginalização, perpetuando desigualdades que se refletem até hoje em áreas como saúde, educação, renda e mercado de trabalho. No caso das mulheres negras, o racismo intensifica dilemas existenciais e impacta diretamente sua saúde mental, gerando sentimentos de solidão e sofrimento invisibilizado. Apesar de representarem grande parte da população brasileira e serem usuárias majoritárias do Sistema Único de Saúde, enfrentam barreiras como precariedade nos serviços e racismo institucional. Nesse contexto, destaca-se a importância da enfermagem, especialmente nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), onde práticas inclusivas e sensíveis às especificidades raciais e de gênero podem contribuir para um cuidado integral e emancipatório. Objetivo: Compreender como a equipe de Enfermagem em CAPS promove a equidade racial. Metodologia: O estudo utilizou o Modelo Nursing Narrativo como referencial teórico, valorizando a subjetividade, a cultura e a história de vida dos sujeitos. A pesquisa teve caráter qualitativo e interpretativo, utilizando narrativas autobiográficas para acessar dimensões profundas da realidade social e institucional. Foi realizada em um CAPS Adulto no município de Biguaçu, Santa Catarina, escolhido por sua relevância na Rede de Atenção Psicossocial e pelo atendimento a populações vulneráveis. Esse serviço desempenha papel estratégico na desinstitucionalização do cuidado, promovendo inclusão social e autonomia dos usuários, especialmente mulheres negras que enfrentam barreiras sociais e culturais. Resultados: Os achados foram organizados em formato de artigos científicos. O primeiro manuscrito analisou como profissionais do CAPS lidam com marcadores sociais em sua prática cotidiana. As narrativas revelaram neutralidade aparente, silenciamentos e invisibilização das demandas específicas das mulheres negras, evidenciando limitações no cuidado em saúde mental. O segundo manuscrito discutiu as práticas de enfermagem voltadas à promoção da saúde mental de mulheres negras atendidas no CAPS. Foram identificados desafios relacionados ao racismo institucional e às barreiras culturais, mas também estratégias que apontam para potencialidades do cuidado, como acolhimento, escuta qualificada e ações inclusivas. Considerações finais: O estudo evidenciou que, embora haja esforços da enfermagem para promover práticas inclusivas, ainda persistem barreiras estruturais que dificultam a equidade racial no cuidado em saúde mental. A invisibilização das demandas específicas das mulheres negras reforça a necessidade de formação crítica e sensível dos profissionais, capaz de reconhecer e enfrentar o racismo institucional. Abstract: Introduction: Brazil was the last country to abolish slavery, in 1888, after more than three centuries of exploitation. The absence of inclusion policies left the Black population marginalized, perpetuating inequalities that are still reflected today in areas such as health, education, income, and the labor market. For Black women, racism intensifies existential dilemmas and directly impacts their mental health, generating feelings of loneliness and invisible suffering. Although they represent a large part of the Brazilian population and are the majority users of the Unified Health System (SUS), they face barriers such as precarious services and institutional racism. In this context, nursing plays a crucial role, especially in Psychosocial Care Centers (CAPS), where inclusive practices sensitive to racial and gender specificities can contribute to comprehensive and emancipatory care. Objective: To understand how the nursing team in CAPS promotes racial equity. Methodology: The study adopted the Nursing Narrative Model as a theoretical framework, valuing subjectivity, culture, and life history. It was a qualitative and interpretative research, using autobiographical narratives to access deeper dimensions of social and institutional reality. The study was conducted in an Adult CAPS in the municipality of Biguaçu, Santa Catarina, chosen for its relevance in the Psychosocial Care Network and for serving vulnerable populations. This service plays a strategic role in deinstitutionalizing care, promoting social inclusion and autonomy, especially for Black women who face social and cultural barriers. Results: The findings were organized in the format of scientific articles. The first manuscript analyzed how CAPS professionals deal with social markers in their daily practice. The narratives revealed apparent neutrality, silencing, and invisibility of the specific demands of Black women, highlighting limitations in mental health care. The second manuscript discussed nursing practices aimed at promoting the mental health of Black women assisted in CAPS. Challenges related to institutional racism and cultural barriers were identified, but also strategies that point to care potentialities, such as welcoming, qualified listening, and inclusive actions. Final Considerations: The study showed that, although there are efforts by nursing to promote inclusive practices, structural barriers still hinder racial equity in mental health care. The invisibility of the specific demands of Black women reinforces the need for critical and sensitive professional training, capable of recognizing and confronting institutional racism. |
| Description: | Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, Florianópolis, 2026. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/276726 |
| Date: | 2026 |
| Files | Size | Format | View |
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| PNFR1474-D.pdf | 1.639Mb |
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