Estratégias de comunicação para a continuidade do cuidado após a alta hospitalar
Author:
ROSA, Amanda Batista
Abstract:
Introdução: A transição do cuidado na alta hospitalar é essencial para a continuidade da assistência e a articulação entre os pontos da Rede de Atenção à Saúde. Nesse processo, a comunicação entre profissionais e serviços favorece o compartilhamento de informações e o acompanhamento dos usuários na Atenção Primária à Saúde (APS). Objetivo: Compreender, sob a perspectiva de enfermeiros do ambiente hospitalar e da Atenção Primária à Saúde, as estratégias de comunicação utilizadas na transição do cuidado para promover a continuidade da assistência de pacientes contrarreferenciados do hospital para a Atenção Primária à Saúde em uma capital do sul do Brasil. Método: Estudo qualitativo, exploratório e descritivo, realizado em um hospital universitário e unidades de Atenção Primária à Saúde. Participaram 43 enfermeiros, sendo 17 hospitalares e 26 da APS. Os dados foram produzidos por entrevistas semiestruturadas e analisados por análise de conteúdo temática, conforme Bardin. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob Parecer nº 7.607.733 e CAAE nº 87306325.3.0000.0121. Resultados: Foram identificadas cinco categorias: planejamento e coordenação da transição; comunicação e articulação; educação em saúde e participação do paciente; acompanhamento e monitoramento; e desafios e perspectivas. Destacaram-se como estratégias a atuação do Escritório de Gestão de Altas, a contrarreferência, o compartilhamento de informações, a educação em saúde, a busca ativa, os contatos telefônicos e as visitas domiciliares. Como fragilidades, evidenciaram-se a ausência de fluxos padronizados, comunicação tardia ou incompleta, fragmentação dos sistemas de informação, insuficiência de recursos e dificuldades de acesso aos serviços. Conclusão: A continuidade da assistência após a alta requer articulação entre hospital e APS, com planejamento, comunicação efetiva e acompanhamento dos usuários. O fortalecimento de fluxos institucionalizados, sistemas de informação integrados e educação permanente pode contribuir para uma transição mais segura e coordenada.