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Abstract:
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A falta de saneamento básico atinge 4,2 bilhões de pessoas, reforçando a importância de soluções descentralizadas, como as fossas sépticas, amplamente utilizadas mas ainda carentes de pós-tratamento e manejo adequado do lodo. O uso de wetlands para desidratação de lodo é empregado desde o final da década de 1980, e apresentam vantagens como baixo consumo de energia, redução de custos de operação e manutenção, e boa integração ao ambiente. Ainda assim, há uma carência de informações sobre a qualidade do tratamento microbiológico desses sistemas, essencial para promover a reciclagem segura de biossólidos. Este estudo avaliou wetlands construídos como tecnologia de Solução Baseada na Natureza (SbN) para o tratamento do lodo proveniente da limpeza de fossas sépticas, com foco no comportamento de patógenos microbianos no lodo acumulado, comparando-o ao efluente bruto. Foram estudados dois wetlands (M1 e M2), de 60 m² cada, com leito filtrante composto por camadas de areia e brita e plantado com Salix viminalis. Os módulos operaram com estratégias variadas: o M1 recebe efluente a cada 15 dias, com recirculação do lixiviado coletado no dia 7, já o M2 opera por drenagem livre, recebendo efluente bruto semanalmente. Ao longo de um ano, amostras mensais do lodo acumulado em ambos os wetlands e do efluente bruto foram analisadas quanto a indicadores microbiológicos, incluindo Escherichia coli, Enterococcus faecalis, colifagos somáticos (modelo para vírus de DNA) e fagos RNA F-específicos (modelo para vírus de RNA). Os resultados mostraram que, no M1, as concentrações de patógenos no lodo acumulado foram, em geral, comparáveis ou inferiores às do efluente bruto, com exceção de E. coli, que apresentou leve aumento. Já no M2, foi observado um crescimento expressivo de E. coli e de colifagos somáticos no lodo acumulado em relação ao efluente bruto. De modo geral, todos os patógenos monitorados foram detectados em concentrações elevadas no lodo acumulado de ambos wetlands, resultado esperado visto que os sistemas estão em operação contínua. Destacamos que a persistência de patógenos no lodo acumulado reforça a importância do monitoramento viral, uma vez que as bactérias podem superestimar a capacidade do sistema. É importante considerar ainda a necessidade de um período de repouso do lodo dentro do leito para promover sua estabilização, etapa a ser investigada em estudos futuros do projeto, de modo a garantir a recuperação e o reúso seguros dos biossólidos gerados pelos wetlands. |