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Abstract:
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Este vídeo destina-se a apresentar, no 36º Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica, os resultados da pesquisa de IC intitulada “Paranoia em Bolaño: Estrella Distante e a narrativa persecutória”, prevista no plano de atividades do autor-bolsista. Esta pesquisa, desenvolvida no escopo do projeto “Variações atmosféricas: a disputa pelos ares na poesia brasileira”, constitui um desdobramento do tema inicialmente previsto, intitulado “Da terra aos céus: o mito dos poluentes em Davi Kopenawa”. O objeto literário elencado para estudo é a novela Estrella Distante (1996), de Roberto Bolaño. Dentro da novela, a pesquisa objetivou analisar a lógica paranoica que estrutura a narrativa, visando compreender seu surgimento, seu modus operandi e o movimento de afastamento dessa lógica realizado pelo narrador. Para tanto, mobilizaram-se sobretudo os pensamentos de Vladimir Safatle (2011) e Eve Kosofsky Sedgwick (2020), a partir dos quais foram subsidiadas as discussões sobre paranoia (Safatle) e movimento reparador (Sedgwick). A lógica paranoica, incapaz de lidar com o acaso da experiência, busca ordená-la segundo elementos presentes no repertório do sujeito, antecipando qualquer sorte de surpresa a partir do já conhecido. Carlos Wieder, poeta e assassino perseguido pelo relato do narrador-personagem Arturo B., parasita o imaginário dos personagens em seu encalço como signo da violência histórica empreendida pela ditadura chilena, responsável pela produção do trauma coletivo. À luz do signo de Wieder, diversos acontecimentos incertos e lacunares integrantes do relato passam a ser relacionados e compreendidos. A pesquisa identifica, nesse sentido, que a paranoia aparece na narrativa como uma forma de organizar a experiência traumática. Opondo-se a essa lógica, o narrador, mobilizando um gesto reparador, recusa crer acriticamente em todas as elaborações que lhe chegam, aceitando a dificuldade de ordenação plena da experiência traumática. Conclui-se que, ao se afastar do vício paranoico de causalidade, Arturo B. abre espaço para pensar o passado traumático de forma mais crítica, sem reduzir a violência histórica à figura de Wieder, que a condensa enquanto signo, mas não a explica em sua totalidade. |