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Abstract:
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O transtorno depressivo maior é um transtorno psiquiátrico de alta prevalência e
sua fisiopatologia envolve mecanismos complexos, dentre os quais a neuroinflamação tem
recebido destaque. Nesse contexto, a vitamina D tem sido investigada devido às suas
propriedades anti-inflamatórias e aos potenciais efeitos antidepressivos. O presente estudo
teve como objetivo investigar mecanismos associados aos efeitos antidepressivos do
colecalciferol, com ênfase na modulação de proteínas relacionadas à neuroinflamação e à
função sináptica no hipocampo e córtex pré-frontal de camundongos submetidos a um
modelo inflamatório induzido por lipopolissacarídeo. Foram utilizados camundongos Swiss
machos, tratados por via oral durante sete dias com colecalciferol nas doses de 10 ou 100
unidades internacionais por quilograma, ou veículo. No último dia, os animais receberam
lipopolissacarídeo (LPS) por via intraperitoneal e, após 24 horas, foram eutanasiados para
coleta do hipocampo e córtex pré-frontal. O imunoconteúdo das proteínas Iba-1, NLRP3 e
indolamina 2,3-dioxigenase (IDO), relacionadas à neuroinflamação, e das proteínas
sinápticas sinapsina e PSD-95 foi avaliado por Western blotting. Os dados foram analisados
por análise de variância de duas vias, seguida do teste de Newman-Keuls, considerando
significativos valores de P menores que 0,05. Os resultados demonstraram que o LPS
aumentou o imunoconteúdo de Iba-1, NLRP3 e IDO no hipocampo. O tratamento com
colecalciferol, na dose de 10 UI/kg, atenuou os aumentos nos imunoconteúdos de Iba-1 e
NLRP3 induzidos pelo LPS, enquanto a dose de 100 UI/kg aboliu esses efeitos e também
impediu o aumento de IDO. No córtex pré-frontal, não foram observadas alterações
significativas dessas proteínas associadas ao tratamento. Além disso, o colecalciferol a 100
UI/kg aumentou, independentemente do LPS, o imunoconteúdo de sinapsina no hipocampo
e córtex pré-frontal e de PSD-95 no hipocampo, sugerindo efeitos sobre mecanismos
neuroinflamatórios e de plasticidade sináptica. Em consonância com esses achados, uma
revisão da literatura realizada no presente projeto identificou potenciais efeitos ansiolíticos
da vitamina D mediados por mecanismos relacionados à neurotransmissão,
neuroplasticidade, neuroinflamação e estresse oxidativo. Esses mecanismos apresentam
estreita relação com processos envolvidos na fisiopatologia da depressão. Em conjunto, os
achados sugerem que os efeitos antidepressivos do colecalciferol podem envolver a
modulação integrada da reatividade microglial, de vias neuroinflamatórias e de proteínas
relacionadas à plasticidade sináptica, reforçando seu potencial como estratégia nutricional
complementar no manejo do transtorno depressivo maior. |