Uso de Inteligência Artificial Generativa em estudos psicolinguísticos: uma experiência com estímulos para experimentos
Author:
Caetano, Jad Duarte
Abstract:
A criação de estímulos linguísticos para a investigação dos processos cognitivos envolvidos no
processamento da linguagem é uma etapa fundamental e desafiadora na psicolinguística
experimental. Elaborar esses materiais demanda muito tempo, por conta da necessidade de
controlar simultaneamente diversas variáveis morfossintáticas e métricas, como ordem e
tamanho das palavras e a animacidade dos substantivos e, ao mesmo tempo manter a
naturalidade e a plausibilidade semântica das sentenças. Diante do surgimento das ferramentas
de Inteligência Artificial Generativa (IAG), o presente trabalho, vinculado ao projeto "Sistemas
de memória, controle atencional e fatores preditores da aprendizagem da leitura: foco no
processamento linguístico de crianças e adultos a partir da abordagem neurocognitiva", teve
como objetivo avaliar a aplicabilidade e o potencial dos modelos ChatGPT (versão gratuita) e
Claude (versão gratuita) na geração de estímulos para experimentos psicolinguísticos. A
metodologia se baseou em técnicas de engenharia de prompt, com definição de persona e
instruções acompanhadas de frases de controle humano extraídas da tese de doutorado de Jesus
(2018). Foram estabelecidas regras restritas de contagem de palavras, considerando sentenças
ativas de 6 palavras, passivas analíticas de 7 palavras e sentenças de controle de 6 a 7 palavras.
Foram também aplicados critérios relacionados à estrutura sintática e à variação de
animacidade entre nomes animados e inanimados. Nos testes iniciais, foi observado que a
atenção estrita às métricas formais gerou alucinações semânticas em frases produzidas pelas
IAs, como "A mesa antiga chamou o médico" e "O computador novo salvou a criança". A
intervenção humana foi necessária, sendo aplicados prompts de reorientação com restrições
semânticas explícitas e a adequação do padrão de animacidade ao das sentenças de controle
humano. Após os refinamentos do prompt, as ferramentas de IA geraram sentenças adequadas
aos critérios experimentais em ambos os modelos. As sentenças geradas foram, posteriormente,
submetidas a um teste de julgamento de aceitabilidade com falantes nativos do português
brasileiro. É possível concluir que a Inteligência Artificial Generativa é uma ferramenta
promissora para acelerar a elaboração de testes em psicolinguística, reduzindo o tempo de
criação de materiais. Porém, ela não substitui a supervisão do linguista que é essencial para
garantir a coerência, a validade e confiabilidade dos estímulos.