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Abstract:
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Introdução: O acompanhamento de puericultura no Sistema Único de Saúde (SUS) é fundamental para a saúde materno-infantil. Contudo, a adesão às diretrizes do Ministério da Saúde para realização de testes de triagem neonatal, cumprimento do calendário vacinal, visitas domiciliares pela equipe de saúde, entre outras práticas, pode ser influenciada por determinantes sociais e econômicos. Objetivo: Caracterizar o atendimento de puericultura de crianças de até 1 ano de idade no SUS em Santa Catarina e verificar a existência de desigualdades segundo características sociodemográficas e econômicas maternas. Metodologia: Estudo transversal fundamentado em uma coorte de 3665 puérperas entrevistadas em 31 hospitais públicos catarinenses (linha de base: puerpério imediato) e contatadas por telefone entre 6 e 9 meses após o parto (seguimento). Analisaram-se associações entre exposições sociodemográficas maternas e desfechos de assistência infantil por meio do teste qui-quadrado e regressão logística binária (bruta e ajustada) no software Stata 19.0. Resultados: Foram observadas elevadas coberturas para os testes de triagem neonatal (pezinho: 99,7%; orelhinha: 94,1%; olhinho: 90,6%) e vacinação completa (73,5%). No entanto, apenas 20,0% receberam visita domiciliar da equipe na primeira semana após o parto e 21,7% realizaram a primeira consulta em até 7 dias. Na análise ajustada, maior escolaridade materna associou-se ao uso do serviço privado para consultas de acompanhamento (ORa= 2,92; IC95%: 1,28-6,67); primíparas tiveram 48% menor chance de receber visita domiciliar na primeira semana (ORa= 0,52; IC95%: 0,32-0,83); mães com trabalho informal apresentaram 37% menor chance de cumprir a vacinação completa do lactente (ORa=0,63; IC95%: 0,36-1,11); e maior renda associou-se à percepção de dificuldade para agendar consultas (ORa= 1,81; IC95%: 1,13-2,90). O estado civil e a cor da pele materna não obtiveram associações com os desfechos materno-infantis analisados no estudo. Conclusão: Embora a cobertura vacinal e de triagem seja elevada, existem desigualdades no acesso precoce e no acompanhamento da puericultura. Evidencia-se a necessidade de direcionar visitas domiciliares a primíparas e acompanhar a vacinação de filhos de trabalhadoras informais, visando à equidade na atenção primária. |