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Abstract:
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Este Trabalho de Conclusão de Curso investiga como a arquitetura pode transformar uma cidade real em uma narrativa espacial dentro dos jogos digitais, tomando como objeto de estudo os mapas do jogo VALORANT. Partindo da hipótese de que esses espaços virtuais compartilham princípios projetuais com a arquitetura e o urbanismo, a pesquisa busca compreender de que maneira elementos como organização espacial, identidade visual, legibilidade e fluxos de circulação contribuem para a construção da experiência do jogador e para a representação de cidades reais em contextos ficcionais.
Para isso, três dos mapas existentes no jogo foram analisados sob a ótica dos conceitos de Kevin Lynch, Ernest Adams e da tríade vitruviana, estabelecendo relações entre arquitetura, percepção espacial e game design. Complementarmente, foi realizado um experimento com participantes da área de Arquitetura e Urbanismo, com o objetivo de avaliar a influência da configuração espacial na orientação e na construção de mapas mentais, além de um estudo dos fluxos de circulação para compreender como diferentes organizações viárias interferem na tomada de decisão dos jogadores.
As análises evidenciaram que a arquitetura desempenha um papel ativo na jogabilidade, estruturando percursos, orientando a navegação e construindo narrativas por meio do espaço. A partir das diretrizes projetuais obtidas, foi desenvolvido um mapa-conceito inspirado na cidade de São Paulo, concebido não como uma reprodução literal da metrópole, mas como uma interpretação arquitetônica de sua identidade urbana. O projeto contrapõe e enaltece aspectos marcantes da cidade, como as dualidades entre arte institucional e arte urbana, turismo e cotidiano, permanência e efemeridade. Para além de elencá-las, busca-se transpassar a coexistência desses núcleos complementares no mesmo espaço físico por meio da organização espacial, da seleção de marcos urbanos e da configuração dos fluxos.
Ao aproximar arquitetura e game design, o trabalho demonstra que o arquiteto pode atuar na concepção de ambientes digitais não apenas como modelador de cenários, mas como projetista de experiências espaciais. Dessa forma, amplia-se o campo de atuação profissional da arquitetura e evidencia-se o potencial dos jogos digitais como suporte para investigações sobre espaço, percepção e narrativa urbana. |