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Abstract:
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Filtros UV orgânicos têm sido detectados com frequência crescente em corpos hídricos de uso recreativo, onde são introduzidos principalmente pelo contato da pele humana com a água durante o banho. Esses compostos são classificados como contaminantes emergentes e têm sido associados a efeitos de disrupção endócrina, ecotoxicidade para organismos aquáticos e potencial de bioacumulação na biota, motivando preocupação quanto aos riscos ambientais e à saúde humana. Neste contexto, o presente trabalho, empregou uma técnica de preparo de amostras baseado na extração em ponteira dispersiva (DPX), combinado com cromatografia líquida de alta eficiência com detecção por arranjo de diodos (HPLC-DAD), para a determinação de onze filtros UV orgânicos: avobenzona, dietilamino hidroxibenzoil hexil benzoato, dioxibenzona, ensulizol, homosalato, octinoxato, octisalato, octocrileno, oxibenzona, padimato e sulisobenzona em amostras de água doce, com base em metodologia previamente reportada na literatura. A separação dos analitos por HPLC-DAD foi realizada em 20 minutos, com monitoramento nos comprimentos de onda 288, 310 e 360 nm, utilizando gradiente composto por 0,1% de ácido fórmico em água e metanol. O polímero estireno-divinilbenzeno foi utilizado na DPX como fase extratora, em procedimento de três ciclos de extração de 25 segundos e três ciclos de dessorção de 10 segundos em acetonitrila. Avaliou-se a influência do efeito salting-out na eficiência de extração, não sendo observada diferença estatisticamente significativa entre as concentrações de NaCl testadas, de modo que se adotou a condição sem adição de sal. Os parâmetros de desempenho analítico como linearidade, limites de detecção (LOD) e quantificação (LOQ), e precisão intra e interdia apresentaram resultados satisfatórios para os onze analitos, com coeficientes de determinação superiores a 0,99 e coeficientes de variação dentro do critério de aceitação adotado. O método foi aplicado em amostras coletadas em três pontos da Lagoa do Peri, Florianópolis, Brasil, durante o verão (fevereiro) e inverno (julho) de 2025. No verão, foram quantificados avobenzona, dioxibenzona, octinoxato, octocrileno e oxibenzona, enquanto no inverno apenas a avobenzona foi quantificada, sendo os demais analitos não detectados ou em concentrações abaixo do limite de quantificação. Os resultados evidenciam a presença de filtros UV orgânicos em um corpo hídrico de uso recreativo e manancial de abastecimento, reforçando a relevância do monitoramento contínuo desses contaminantes em ambientes de água doce. |