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Abstract:
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Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico, sociodemográfico e ocupacional dos
acidentes de trabalho com exposição a material biológico (ATEMB) nos estados do
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul entre 2019 e 2023 e identificar
diferenças e semelhanças. Métodos: Estudo ecológico, descritivo e retrospectivo
realizado com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de
Notificação (SINAN), obtidos via DATASUS, combinados com dados da Relação
Anual de Informações Sociais (RAIS) para o cálculo de taxas de incidência por 1.000
vínculos empregatícios de profissionais de saúde. As variáveis analisadas foram:
ano do registro, unidade federativa, sexo, faixa etária, raça/cor, escolaridade,
ocupação e situação no mercado de trabalho. Quanto às características do agravo,
incluíram-se: circunstância do acidente, agente causador, tipo de material orgânico,
tipo de exposição, uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI), emissão de
Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e evolução do caso. Resultados:
Foram analisadas 65.717 notificações no período, das quais 63,5% (n=41.752)
envolveram profissionais de saúde. O Paraná registrou o maior volume absoluto de
casos (n=25.498), seguido pelo Rio Grande do Sul (n=22.587) e por Santa Catarina
(n=17.632). A taxa média de incidência foi maior em Santa Catarina (23,3/1.000),
seguida pelo Paraná (21,1/1.000) e pelo Rio Grande do Sul (20,1/1.000). O ano de
2020 apresentou o menor número de notificações nos três estados. O perfil
epidemiológico mostrou-se homogêneo em toda a Região Sul: predomínio do sexo
feminino (~79%), faixa etária de 20 a 29 anos em volume absoluto, autodeclaração
de cor branca (77% a 88%), escolaridade de ensino médio completo e categoria
profissional de técnico de enfermagem (38% a 52%). As taxas de incidência por
faixa etária revelaram maior vulnerabilidade entre profissionais de 15 a 19 anos em
Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. O agente causador mais frequente foi a
agulha com lúmen (52% a 58%), o material orgânico predominante foi o sangue
(~78%) e o tipo de exposição mais comum foi a percutânea (~75%). A luva foi o
equipamento de proteção individual mais utilizado (76% a 81%), enquanto a
proteção facial apresentou a menor adesão (7% a 9%). A Comunicação de Acidente
de Trabalho foi emitida em 54,5% a 61,0% dos casos. O abandono do
acompanhamento foi marcadamente elevado no Paraná (27,8%), contrastando com
Santa Catarina (10,3%) e Rio Grande do Sul (3,2%). Conclusão: O perfil
epidemiológico dos ATEMB na Região Sul é homogêneo entre os três estados, com
diferenças relevantes nas taxas de incidência e no seguimento pós acidente.
Espera-se que os resultados subsidiem o planejamento em saúde do trabalhador e
orientem a definição de prioridades de intervenção e vigilância ocupacional na
região. |