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Abstract:
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Saberes em Movimento surge do desassossego político e epistemológico; do desejo de que grupos historicamente subalternizados se reconheçam como sujeitos de suas próprias histórias, de que se enxerguem no seu mundo e no Mundo e que, assim, também, se enxerguem dentro da Universidade. Não se trata apenas de produzir conhecimento sobre essas comunidades e transmiti-los da Universidade para fora, mas de identificar, valorizar e trazer para dentro os saberes que já circulam para além das fronteiras acadêmicas.
Num movimento de descolonização da ciência, esta obra é produzida pelos(as) discentes da Licenciatura em Educação do Campo (EduCampo) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em cooperação com a comunidade local do Planalto Norte (Rio Negrinho Mafra). Nela, o(a) leitor(a) encontrará as vozes da comunidade, numa narrativa que exprime a potência dos saberes locais. Ao se evidenciar a potência contextual dos saberes locais, além das fronteiras acadêmicas. de certa forma também se denuncia, mesmo que implicitamente, a esterilidade que há na ideia de conhecimento universal em si, na abstração do contexto, sem o qual os saberes/conhecimentos perdem a pretensa potência e até o seu sentido. Este trabalho é fruto da articulação entre a atividade de ensino e de pesquisa que se deu desde sua concepção no nível institucional – nascendo da articulação entre o projeto de pesquisa intitulado “Modelagem Matemática na Educação do Campo: visibilidade de saberes locais” e a disciplina “Saberes e Fazeres III”, componente curricular da sexta fase da EduCampo –, mas, também, no nível prático de produção de cada texto que o compõe. Cada um dos textos é fruto da lapidação e reelaboração de uma atividade investigativa protagonizada pelos licenciandos-autores sobre os saberes matemáticos locais. O trabalho é resultado de uma pesquisa realizada na disciplina “Saberes e Fazeres”, na qual os(as) estudantes entrevistaram sujeitos do campo sobre suas formas de lidar com o mundo a partir dos saberes e das realidades locais. A pesquisa, materializada em forma de textos, apresenta relatos e discussões sobre formas próprias de se enfrentar em cada contexto a necessidade prática de realizar os trabalhos para a reprodução da vida no campo. A necessidade de estimar, de medir, pode ser vista como parte da capacidade humana de projetar, de pré-idealizar e planejar situações. Entretanto, há várias formas possíveis de medir e estimar, também relacionadas a outras racionalidades e a valores para além da “eficiência econômica”, “precisão”, “matematização”, como valores cultuados e característicos da ciência moderna. Estes, muitas vezes, se sobrepõem e invisibilizam formas próprias criativas de se enfrentar em cada contexto a necessidade práticas de realizar estimações e medidas. |