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Abstract:
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Cada vez mais pesquisas mostram que compostos químicos usados no dia a dia podem ser perigosos para o meio ambiente. Os chamados poluentes emergentes formam um grupo de substâncias nocivas ou potencialmente nocivas, mas que ainda não possuem regulamentações que definam limites seguros de presença na natureza. Neste trabalho, focamos em dois medicamentos amplamente utilizados: o diclofenaco e o naproxeno. Estudos recentes indicam que eles são prejudiciais à fauna e à flora, tanto aquática quanto terrestre, além de estarem entre os dez fármacos mais encontrados no meio ambiente.
Após a ingestão, grande parte desses medicamentos é eliminada pela urina, chegando às estações de tratamento de esgoto. No entanto, os processos atuais são pouco eficazes na remoção desses poluentes, o que leva à sua liberação em rios e mares.
Nosso objetivo foi investigar um material com potencial para remover esses contaminantes da água: o UPEO800. Esse material apresenta hidroxilas e nitrogênio, que podem interagir com a parte polar dos fármacos, além de uma cadeia de polióxido de etileno capaz de interagir com a porção apolar. Ele também apresenta diferentes formas em condições distintas de pH, e buscamos avaliar como interagia com esses remédios em meio mais ácido.
Para essa investigação, utilizamos simulações de dinâmica molecular, realizadas em computadores, que permitem observar em detalhes como as moléculas interagem. Usamos fórmulas matemáticas para descrever as forças de interação entre elas e geramos diversas imagens que, juntas, compõem um filme de seu movimento. A partir dessas imagens, conseguimos identificar em quais regiões do polímero os fármacos permanecem mais tempo interagindo.
Os resultados mostraram que o polímero UPEO800 consegue capturar bem as moléculas de diclofenaco e naproxeno em ambiente de pH neutro, além de indicar que esses fármacos interagem preferencialmente com as hidroxilas, em comparação com os nitrogênios do polímero.
Contudo, em pH ácido, o material polimérico não apresentou bom desempenho. Por isso, investigamos como o aumento da quantidade de fármaco influenciava essas interações. No entanto, não houve tempo para determinar se, nessas condições, os fármacos continuavam a interagir mais com as hidroxilas ou se passavam a interagir de modo semelhante também com os nitrogênios do polímero. |