| Title: | Como mulheres que fazem sexo com mulheres lidam com a saúde sexual: o que revela um questionário exploratório sobre infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). |
| Author: | Souza, Ana Luiza dos Praseres de |
| Abstract: |
As infecções sexualmente transmitidas (ISTs) vêm ocupando um cenário cada vez mais alarmante de acordo com os dados publicados mundialmente nos últimos anos. Estudos apontam que esse avanço é fomentado por diversas razões, em que se destacam a falta de educação sexual, o acesso limitado aos serviços de saúde e aos comportamentos sexuais de risco. Pesquisas recentes demonstram que há a transmissão de microrganismos no sexo entre mulheres, sendo que a prevenção durante as práticas sexuais é rara ou nula, em consequência de uma crença de falsa proteção e também devido a um grande desconhecimento acerca de como adaptar os métodos preventivos às suas práticas sexuais. As informações sobre proteção sexual para mulheres costumam ser centradas em uma perspectiva falocêntrica, que enfatiza o uso do preservativo como método contraceptivo e preventivo para ISTs. No entanto, ao considerar as práticas sexuais entre sexo com mulheres (MSM), surge um grande desafio em saúde pública, pois essas mulheres são frequentemente invisibilizadas nas políticas públicas de saúde sexual, que carecem de diretrizes específicas e adequadas para atender às suas necessidades. Nesse sentido, o presente estudo teve como objetivo investigar as práticas de cuidado ginecológico de ISTs entre MSM, considerando aspectos socioeconômicos, de sexualidade e vivências na área da saúde. A pesquisa foi conduzida por meio de um questionário exploratório on-line, divulgado em redes sociais, fóruns acadêmicos da UFSC e ONGs voltadas ao público LGBTQIAPN+. A amostra foi composta por MSM cisgênero maiores de idade. Os resultados indicaram lacunas significativas no acesso e adesão aos serviços de saúde ginecológica por parte dessas mulheres, com baixa frequência na realização de consultas e exames preventivos, especialmente entre lésbicas, mesmo quando possuem maior nível educacional e faixa etária mais elevada. Verificou-se que, embora a maioria das participantes se sinta à vontade para discutir sua sexualidade com ginecologistas, suas experiências sexuais com outras mulheres frequentemente não foram consideradas nas orientações por parte destes profissionais. Também foi demonstrado que a prevenção de ISTs é pouco praticada nesse grupo, principalmente devido à percepção de segurança em relações fixas, à falta de informações sobre métodos específicos para sexo entre mulheres e à ideia de que tais práticas não oferecem risco. Mulheres bissexuais ou pansexuais apresentaram maior propensão a realizar exames preventivos e a receber informações sobre ISTs, sobretudo quando comparadas às lésbicas, o que pode estar relacionado à maior exposição a práticas tradicionalmente mais contempladas nas orientações médicas. Esse panorama evidencia a persistência de falhas informativas e de assistência no campo da saúde sexual de mulheres que se relacionam com outras mulheres, indicando a necessidade de políticas públicas e práticas profissionais que reconheçam e incluam as especificidades dessas vivências. O estudo contribui para a ampliação do debate sobre a invisibilidade dessa população nos serviços de saúde, reforçando a importância de abordagens mais sensíveis, acolhedoras e baseadas em evidências. Sexually transmitted infections (STIs) have shown a worrying increase in recent years, driven by the lack of sexual education, limited access to health services, and risky sexual behaviors. Information about sexual protection aimed at women generally follows a phallocentric perspective, emphasizing condom use as both a contraceptive method and a means of STI prevention. Studies indicate that, despite the possibility of STI transmission between women, preventive practices are rarely adopted. Furthermore, this population is frequently rendered invisible in public sexual health policies, which often lack guidelines tailored to their specific realities. Compounding this issue is the lack of preparation among many healthcare professionals to adequately guide and support these women. In this context, the present study aimed to investigate gynecological care and STI prevention practices among women who have sex with women (WSW), considering socioeconomic aspects, sexuality, and experiences in healthcare settings. The research was conducted through an exploratory online questionnaire, disseminated via social media, academic forums at UFSC, and NGOs focused on the LGBTQIAPN+ community. The sample consisted of adult cisgender WSW. The results revealed low adherence to gynecological consultations and preventive screenings, especially among lesbian women, even those with higher levels of education and older age. Bisexual and pansexual women showed a greater tendency to seek preventive care, possibly because they are more involved in practices addressed by conventional medicine. It was found that, although the majority of participants feel comfortable discussing their sexuality with gynecologists, their sexual experiences with other women are frequently not taken into account in the professionals advice. Overall, WSW demonstrate limited engagement in STI prevention, mainly due to a perceived sense of safety in steady relationships, lack of information about specific methods for sex between women, and the mistaken belief that such practices pose no risk. The data also indicate that older women tend to have greater access to information about STI prevention in female-to-female sexual relationships, feel more comfortable discussing sexuality with healthcare professionals, and adopt preventive measures such as the Pap smear more frequently. This study highlights persistent gaps in sexual health information and care for WSW, emphasizing the urgent need for more inclusive public policies and professional practices that are sensitive to diversity and grounded in scientific evidence. Moreover, it underscores the lack of specific methods designed for sexual protection between women, which contributes to the neglect of prevention and reinforces the exclusion of this population from conventional sexual health strategies. |
| Description: | TCC (graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Farmácia. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/266192 |
| Date: | 2025-06-26 |
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