Abstract:
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A Prática como Componente Curricular (PCC) é um dos componentes dos cursos de
licenciatura e objetiva, entre outros aspectos, a reflexão sobre a prática docente. Trabalhos
apontam dificuldades em sua implementação relacionadas principalmente à falta de
compreensão e de sua definição pelos docentes e seus alunos, ao seu inadequado modo de
desenvolvimento e seus objetivos pouco relacionados à prática docente. Sendo a avaliação
uma importante tarefa de docentes universitários e considerando a importância da PCC na
formação docente, esta investigação buscou identificar e analisar os processos de avaliação de
atividades da PCC no Curso diurno de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade
Federal de Santa Catarina. Foram realizadas análises no Projeto Pedagógico (PP) e nos planos
de ensino de disciplinas obrigatórias que possuem carga horária deste componente curricular.
Organizaram-se os resultados em dois blocos: sobre a carga horária de PCC nas disciplinas e
seu percentual da nota final; e sobre as propostas de avaliação dessas atividades. Como
resultados, identificou-se que pouco se fala sobre a avaliação dessas atividades no PP, porém,
esse documento traz algumas possibilidades que podem ser desenvolvidas pelos docentes,
além de explicar o que é a PCC e seus objetivos. Em relação aos planos de ensino, muitos
atribuem à PCC uma nota, o que pode acarretar em uma classificação numérica dos estudantes
e não refletir de maneira apropriada seu aprendizado. Essas notas, quando presentes, possuem
uma porcentagem significativa na nota final da disciplina, o que pode demonstrar uma
preocupação com o desenvolvimento de saberes pedagógicos. A distribuição dessa carga
horária por departamentos se dá equitativamente, o que poderia ser repensado com estratégias
mais apropriadas de acordo com o perfil de licenciados almejado. Quanto às propostas de
avaliação, a produção de materiais didáticos é mais frequente como atividade, o que pode
estar relacionado ao senso comum da palavra “prática”. Ademais, foram identificadas
atividades de elaboração de estratégias didáticas, discussão de temas e análise de materiais ou
situações, que se relacionam mais profundamente com os objetivos da PCC de formação
docente. Foram observadas disciplinas que não especificam a atividade que será realizada,
seja por não existir essa informação nos planos de ensino, ou devido a proposta ser livre. Seus
critérios avaliativos são vagos, o que pode se relacionar com a falta de objetivos claros e bem
delimitados. Ainda, viu-se que existem disciplinas que realizam atividades que não podem ser
consideradas como PCC pois não se relacionam com a prática profissional docente. Nos
planos de ensino, a maioria apenas menciona a distribuição de peso das notas, demonstrando
um entendimento de avaliação como medida quantitativa. Quanto à seção de objetivos, a
maioria possui objetivos pedagógicos, apesar de nem sempre se relacionarem com as
atividades. Por fim, a maioria das disciplinas possui a discussão das PCCs no cronograma,
porém, este período se encontra ao final do semestre, não havendo espaço registrado para seu
desenvolvimento ao longo do processo. A avaliação das PCCs pode ser repensada de maneira
processual, retomando os objetivos previamente formulados, evitando que seja apenas uma
ferramenta de verificação. |