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Abstract:
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Esta pesquisa investiga a agência de escravizados e libertos em arranjos de crédito e de trabalho para o alcance da alforria e de outros interesses relacionados à vida depois da
conquista da liberdade, frequentemente marcada pela precariedade, como por exemplo o
reconhecimento social, a aquisição de propriedades e oportunidades de trabalho. A
investigação, que tem como foco de análise a cidade do Desterro no século XIX, procurou
demonstrar que a despeito da exploração e dos limites impostos pela escravidão, homens e
mulheres, a partir de relações econômicas e sociais, foram capazes de aproveitar as brechas do
domínio senhorial e elaborar estratégias para negociar suas condições jurídicas e sociais. Em
um primeiro momento, buscou-se examinar o contexto em que os cativos viviam na Desterro
oitocentista, bem como a dinâmica da escravidão, das negociações e das redes de crédito
informal existentes na cidade. Além disso, a partir da sistematização dos registros de alforrias
em um banco de dados, investigou-se o padrão de concessão das cartas de liberdade, levando-
se em consideração as categorias de alforria gratuita, condicional e paga, a fim de examinar as
formas possíveis e mais comuns de conquista da liberdade naquela sociedade. Em seguida, a
análise se direcionou à atuação dos próprios cativos, buscando compreender as diferentes
oportunidades de emancipação que poderiam existir dependendo do contexto no qual cada um
estava inserido, além de investigar as diversas estratégias através das quais os escravizados
pleiteavam suas liberdades, a partir de uma análise mais detalhada das alforrias e dos
contratos de locação de serviço. |