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Abstract:
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O Primeiro Comando da Capital (PCC) consolidou-se, nas últimas décadas, como
um dos principais atores do crime organizado transnacional na América Latina. Boa
parte da literatura, contudo, explica essa trajetória a partir de fatores internos, as
dinâmicas prisionais, a sociabilidade das periferias e a estrutura da organização,
relegando a segundo plano os condicionantes internacionais que a tornaram
possível. Diante dessa lacuna, esta pesquisa tem por objetivo analisar os fatores
internacionais que contribuíram para a consolidação do PCC como ator relevante no
crime organizado transnacional, respondendo a quais elementos externos
viabilizaram esse processo. Adota-se o método hipotético-dedutivo, por meio de uma
abordagem qualitativa e de natureza exploratória, fundamentada em revisão
bibliográfica e documental. Os resultados demonstram que a externalização da
Guerra às Drogas estadunidense para a América Latina, da Iniciativa Andina ao
Plano Colômbia e à Iniciativa Mérida, não suprimiu o narcotráfico, mas o
reorganizou, provocando a fragmentação dos cartéis colombianos e mexicanos, a
migração das rotas de tráfico e o fortalecimento de mercados ilícitos, além de
consolidar o Brasil como mercado consumidor e zona de trânsito. Foi nos vácuos de
poder abertos por esse processo que o PCC se internacionalizou, ocupando rotas e
eliminando intermediários, sobretudo na fronteira paraguaia. Conclui-se que a
internacionalização do Comando resultou da convergência entre essas
transformações estruturais e a agência da própria organização. A pesquisa contribui
ao deslocar a análise do PCC do plano interno para o estrutural e internacional,
oferecendo uma leitura dos limites da política antidrogas estadunidense. |