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Abstract:
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O presente estudo analisa as razões pelas quais o Brasil e a Índia, enquanto
potências médias emergentes com características estruturais semelhantes,
conferem diferentes graus de prioridade à defesa em suas agendas estatais no
período pós-Guerra Fria. O objetivo central consiste em investigar os fatores
explicativos dessa assimetria, avaliando em que medida cada Estado prioriza a
defesa diante das pressões do sistema internacional. Para atingir esse propósito,
adota-se uma metodologia predominantemente qualitativa de caráter comparativo,
fundamentada em revisão bibliográfica e análise documental de livros brancos,
estratégias nacionais e doutrinas militares, complementada por dados quantitativos
descritivos sobre a evolução e composição dos gastos militares. Os resultados e
discussões demonstram que as trajetórias de defesa dos dois países divergem em
virtude da configuração de seus respectivos Complexos Regionais de Segurança
(CRS). A Índia, inserida em um entorno regional altamente belicoso e instável,
marcado por rivalidades nucleares e disputas persistentes com o Paquistão e com a
China, percebe a defesa como um imperativo de sobrevivência estatal. Em
contrapartida, o Brasil opera historicamente em um ambiente estratégico de baixa
conflitividade interestatal e relativa estabilidade, em que o poder militar é concebido
principalmente como um vetor de projeção de influência internacional. Nesse
cenário, a defesa mantém uma posição secundária no conjunto de políticas públicas.
Conclui-se que a percepção de ameaças externas, condicionada pelos processos de
securitização de cada Complexo Regional de Segurança, constitui a principal
variável para explicar o nível de priorização da defesa na agenda dessas potências
emergentes. |