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Abstract:
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O presente trabalho analisa o modelo de responsabilidade penal da pessoa jurídica
proposto pelo Projeto de Lei do Senado n. 236/2012 (PLS 236/2012), examinando seus
fundamentos dogmáticos, sua compatibilidade com o princípio da culpabilidade e as lacunas
que persistem em relação ao regime vigente. O problema que norteia a pesquisa consiste em
verificar se o modelo de imputação proposto pelo Projeto de Lei é capaz de superar as
inconsistências dogmáticas do regime atual, garantindo a observância da culpabilidade. Para
tanto, parte-se da hipótese de que, embora unifique a matéria, o PLS parece manter uma
estrutura de responsabilidade por ricochete, falhando em estabelecer um critério específico e
claro de autorresponsabilidade. Assim, a pesquisa parte da tensão histórica entre o brocardo
societas delinquere non potest e as demandas político-criminais decorrentes da expansão da
criminalidade corporativa, percorrendo as principais teorias da culpabilidade e os modelos de
imputação coletiva. Em seguida, o trabalho analisa o arcabouço normativo brasileiro relativo
ao tema da responsabilidade penal da pessoa jurídica, com enfoque no artigo 225, § 3°, da
Constituição Federal e nas disposições da Lei n. 9.605/1998, bem como a evolução
jurisprudencial dos tribunais superiores. Por fim, o trabalho disseca os artigos 41 a 44 do PLS
236/2012, concluindo que, embora o projeto represente avanços formais relevantes, ainda
deixou algumas lacunas, como a ausência de qualquer equivalente funcional da culpabilidade
empresarial e de critérios objetivos e claros para a imputação corporativa. A metodologia
adotada é dedutiva, com análise bibliográfica, legislativa e jurisprudencial. |