|
Abstract:
|
O crescimento expressivo no consumo de suplementos alimentares impulsiona o
mercado nacional, destacando-se os produtos ergogênicos à base de cafeína. Diante das
promessas de liberação prolongada e da ausência de obrigatoriedade de ensaios específicos
para o registro desses suplementos pela ANVISA, este estudo teve como objetivo geral avaliar
a qualidade de cápsulas de cafeína de liberação prolongada, provenientes de dois fabricantes
distintos (denominados A e B), com ênfase na análise de seus perfis de dissolução. A
metodologia consistiu na realização de testes de determinação de variação de peso,
doseamento e ensaios de desintegração e de dissolução in vitro, utilizando como referências as
diretrizes adaptadas das Farmacopeias Brasileira e Americana. A Marca A, além de possuir
teor de ativo de apenas 48 % do declarado e apresentar inconformidades na desintegração das
cápsulas em diferentes meios, não apresentou perfil de liberação prolongada. A maioria de
suas unidades exibiu uma dissolução lenta inicial até 2,5 horas, período atrelado a
desintegração do invólucro de gelatina, seguida por uma liberação rápida do ativo, atingindo
um platô com apenas 50% do teor nominal dissolvido. A Marca B, que declara a utilização de
cafeína microencapsulada, obteve resultados satisfatórios de tempo de desintegração em
diferentes meios e apresentou uma variabilidade intra-lote nos perfis de dissolução, em que
metade das unidades testadas liberou a totalidade do ativo em menos de 1 hora, caracterizando
uma liberação convencional/imediata, enquanto as unidades restantes demonstraram um perfil
gradual e sustentada por 8 horas. Conclui-se que ambas as marcas falharam em apresentar um
perfil reprodutível de liberação prolongada, evidenciando a necessidade de implementação de
testes de dissolução para o monitoramento de suplementos alimentares como forma de
garantir a segurança do consumidor e o efeito ergogênico esperado |