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Abstract:
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Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) figura entre os patógenos de maior
relevância clínica e epidemiológica em saúde pública global. Apesar disso, ainda são limitados
os estudos brasileiros sobre frequência e fatores associados a desfechos clínicos em infecções
por MRSA, especialmente em Santa Catarina. Este estudo teve por objetivo caracterizar o perfil
clínico-epidemiológico das infecções por S. aureus no Hospital Universitário Polydoro Ernani
de São Thiago da Universidade Federal de Santa Catarina (HU-UFSC), bem como comparar
comorbidades e desfechos conforme o perfil de resistência (MRSA e MSSA). Trata-se de
estudo conduzido em dois braços: caracterização descritiva de 82 pacientes com isolamento de
S. aureus e estudo caso-controle pareado por idade e gravidade clínica (sepse ou não sepse),
este último subdividido conforme nicho ecológico de aquisição da infecção – Infecção
Adquirida na Comunidade (IAC) ou Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (IRAS). Os
resultados demonstraram predominância do sexo masculino (67,1%; p=0,002) e maior
frequência de infecções comunitárias tanto na casuística geral (69,5%) quanto nos grupos
MRSA (68,3%) e MSSA (70,7%). A frequência de MRSA atingiu 50% em 2025, valor
expressivamente superior ao previamente descrito na mesma região em 2015 (<10%). O
principal sítio de infecção foi pele e tecidos moles, especialmente entre os isolados MRSA
(63,4%), enquanto MSSA apresentou distribuição mais homogênea entre pele e tecidos moles
(29,3%) e hemoculturas (31,7%). A maioria dos pacientes apresentou evolução não grave, com
admissão em terapia intensiva e uso de vasopressores observados em 19,5% (16/82) dos casos,
e letalidade hospitalar de 9,8% (9/82). Os óbitos concentraram-se em pacientes sépticos e com
infecções invasivas. Na análise caso-controle, pacientes com IRAS apresentaram tendência a
maior carga de comorbidades, sem significância estatística. Observou-se ainda tendência a
desfechos mais graves associados ao MSSA nas IAC, enquanto nas IRAS os desfechos
desfavoráveis concentraram-se no MRSA. Embora limitado pelo baixo tamanho amostral, o
estudo não identificou fatores clínico-epidemiológicos isolados claramente determinantes para
gravidade ou desfechos, evidenciando a natureza multifatorial e complexa das infecções por S.
aureus. Os achados reforçam a necessidade de estudos multicêntricos e abordagens integradas
de interação patógeno-hospedeiro para melhor compreensão da evolução clínica dessas
infecções. |