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Abstract:
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A reinserção do ensino de filosofia nos currículos escolares brasileiros é tema que
envolve discussões desde sua supressão no período do regime de exceção pós-1964.
Ainda assim, discute-se a sua presença ou não apenas nos currículos de Ensino
Médio, negligenciando-se a sua importância para os currículos do Ensino
Fundamental. A experiência do estágio da autora em classes infantis e a percepção
de uma possível importância do ensino de fundamentos filosóficos para crianças
inspiraram a escolha do tema da pesquisa, cujo objetivo é discutir a concepção do
educador estadunidense Matthew Lipman (1923–2010), pioneiro no ensino da filosofia
para crianças, cuja leitura constitui marco referencial inicial obrigatório para
compreensão do tema. A preocupação de Lipman com a formação do aluno como
futuro cidadão respeitador dos valores democráticos é o cerne de toda a sua
concepção de ensino de filosofia para crianças. Para Lipman, as atitudes promovidas
na sala de aula podem ser progressivamente generalizadas para o macrocosmo
social. Nessa perspectiva, a sala de aula se distanciaria do modelo tradicional,
centrado apenas na transmissão de conteúdos, e se converteria em um espaço
propício para a participação ativa dos estudantes e a discussão racional de ideias.
Todavia, os fundamentos do modelo de Lipman receberam críticas de alguns autores
nacionais da educação e da filosofia, por modular excessivamente o papel do
professor no processo, reduzindo sua autonomia. Além disso, sua pretensa
neutralidade e seu matiz liberal superdimensionam a capacidade transformadora da
instituição escolar para resolver os problemas sociais. Apesar dessas críticas, a
proposta de Lipman é reconhecida por ter aberto o debate sobre a pertinência do
ensino de filosofia para crianças. |