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Abstract:
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A presente monografia apresentada como pré-requisito para a obtenção do título de bacharel
em Letras – Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa tem como objetivo geral
analisar a percepção de estudantes angolanos da UFSC em relação à influência de variedades
do português brasileiro em seus usos linguísticos, considerando aspectos identitários. A
pesquisa visa contribuir para os estudos de identidade nas Ciências Sociais e Humanas,
principalmente a área de Sociolinguística, considerando a identidade como construção
dinâmica e mutável. Do ponto de vista social, amplia a compreensão sobre a relação entre
língua e identidade, especialmente em contextos diaspóricos. A abordagem utilizada neste
estudo adota uma perspectiva qualitativa com observação participante e autoetnográfica, na
medida em que o autor avalia a percepção de estudantes angolanos da UFSC entrevistados
(com os quais já mantinha contato) e também utiliza sua própria experiência pessoal como
base para sua investigação. Contamos com a participação de doze estudantes angolanos da
UFSC, selecionados por rede de relações dentro da comunidade acadêmica. Os dados foram
coletados por meio de questionário e entrevistas semiestruturadas, as análises buscaram
relacionar percepções linguísticas e identitárias dos participantes à teoria. Os resultados
indicam que os estudantes angolanos da UFSC: i) apresentam perfis diversos, mas
compartilham experiências de convivência intercultural; ii) percebem diferenças entre o
português angolano e o brasileiro, especialmente no sotaque e nas gírias; iii) reconhecem
influências do português brasileiro em sua fala e escrita, associadas à adaptação social e
acadêmica; iv) em relação à identidade, os resultados evidenciam que os participantes
percebem-na como conectada a grupos sociais mais amplos e relativamente fixa, e alguns
participantes entendem-na como características vinculadas à essência do indivíduo, embora,
na prática, fique evidente que a identidade é múltipla, negociada e performada de acordo com
suas necessidades diante dos vários contextos nos quais interagem (Hall, 2006). |