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Abstract:
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O presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) visa investigar a influência
do sistema fonético do espanhol como L1 na aquisição e produção do alemão como
L2 por falantes nativos de espanhol. O estudo se justifica pela relevância acadêmica,
buscando sintetizar e complementar achados sobre a fonética contrastiva entre as
duas línguas, e pela relevância pedagógica, visando identificar dificuldades
específicas para aprimorar o ensino do alemão para esse público, especialmente no
contexto de Santa Catarina. O espanhol é caracterizado como uma língua
cronometrada por sílabas regulares, com um sistema vocálico simples de cinco vogais
[i, e, a, o, u] e duas semivogais [j] e [w], além restrições fonéticas rígidas para
encontros consonantais, como padrão, limitados ao encontro de duas consoantes. Em
contraste, o alemão padrão (Hochdeutsch) é classificado como uma língua
cronometrada pelo acento, essencialmente devido à distinção entre vogais longas e
curtas, isto é, contraste de duração e tensão, possuindo um inventário vocálico vasto.
Sua fonética é mais permissiva em relação a encontros consonantais, em média,
aceitando até três consoantes em um único encontro. Além disso, possui consoantes
e alofones inexistentes no espanhol, como as fricativas [ç], [ʃ], [z] e a oclusiva glotal
[ʔ], que ocorre no início de sílabas tônicas. Agrega-se, que o alemão não utiliza
acentos ortográficos para indicar a tonicidade, que recai, em geral, sobre a raiz lexical.
A discussão explora a aquisição fonética de L2, ressaltando que a influência do
espanhol é evidente, especialmente na produção de sons inexistentes em L1 ou em
estruturas mais complexas. Pesquisas prévias indicam que o processo de adaptação
fonética é variável e diretamente ligado ao nível de proficiência. Falantes iniciantes
tendem a manter os padrões prosódicos do espanhol, resistindo à substituição de
fonemas novos (e.g., substituindo [ç] por [ʃ]). Já os alunos com proficiência mais alta
(a partir de B2, segundo o Quadro Comum Europeu de Referência para Línguas)
demonstram uma redução mais consistente da influência da L1. O estudo aponta que
a aquisição da fonética de L2 envolve a adaptação de domínios prosódicos mais
amplos do espanhol para se adequarem aos constituintes menores do alemão, o que
se manifesta por meio desses estágios de adaptação. |