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Abstract:
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O presente trabalho trata da articulação entre Literatura e o Ensino de Química/Ciências como
uma possibilidade para a abordagem do racismo, compreendendo a leitura como um meio de
promover diferentes compreensões da realidade. O objetivo geral é analisar a obra Usina, do
autor regionalista brasileiro José Lins do Rego, de modo a identificar potencialidades e limites
para favorecer a abordagem/reflexão sobre racismo no ensino de química articulado à
Literatura, de forma a favorecer a implementação da Lei 10.639/2003 no Ensino de Ciências
da Natureza na aproximação com a Literatura. O referencial teórico que orientou parte da
análise da obra foram as contribuições de Abdias Nascimento advindas de sua obra O
genocídio do negro brasileiro. A análise da obra Usina foi conduzida com base na Análise
Textual Discursiva (ATD), conforme proposta por Moraes (2003), e nas orientações
teórico-metodológicas de Oliveira, Gonçalves e Silveira (2024) que discutem as
potencialidades da articulação entre Literatura e Ensino de Ciências. Do processo analítico
guiado pela ATD, obtiveram-se cinco categorias, denominadas: a química na produção
açucareira; do engenho à usina: a química nas transformações socioambientais; racismo
mascarado: o químico e o mito do progresso industrial; usina: modificação no cenário
religioso; e o mito do senhor benevolente e o racismo. O exame da obra Usina permitiu
concluir que a narrativa apresenta potencialidade para a educação das relações étnico-raciais
no Ensino de Ciências da Natureza e de Química articulado à Literatura, fortalecendo o
diálogo entre Literatura e Ciência e contribuindo para uma educação científica. Além disso, os
resultados evidenciam que a obra apresenta potencialidade ao articular conteúdos químicos a
problemáticas sociais, raciais e ambientais. Essa relação permite compreender a Ciência como
prática não neutra, vinculada a contextos históricos e culturais. |