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Abstract:
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Este Memorial de Formação, elaborado no âmbito da Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), visa examinar a formação docente sob uma ótica antirracista, interligando as dimensões subjetiva, conceitual e política da vivência acadêmica. A pesquisa adota a abordagem metodológica do Relato de Experiência (RE) para criar uma narrativa reflexiva sobre a trajetória do autor, que se mudou de Macapá (AP) para Florianópolis (SC) utilizando cotas raciais e de renda para ingressar na UFSC. A organização de experiências – como a adaptação à vida universitária, envolvimento em greves estudantis, trabalho intenso em telemarketing durante a pandemia e atuação posterior como professor substituto – serve como fundamento para destacar as deficiências do currículo formal no que diz respeito à educação das relações étnico-raciais e ao combate ao racismo ambiental. O estudo promove um diálogo significativo entre vivências pessoais e referencial teórico, englobando conceitos como racismo estrutural, racismo ambiental, educação antirracista e relevância da memória como instrumento de formação. Por meio da ressignificação dessas experiências, o memorial ilustra como a escrita autobiográfica realiza um "estranhamento crítico", que desnaturaliza a opressão e destaca a presença do racismo ambiental na formação em Ciências Biológicas. A elaboração do memorial se revela como um eficaz instrumento de autoformação, permitindo que o futuro docente relacione os conteúdos biológicos com uma análise crítica da realidade socioambiental, transformando-o em um educador consciente e engajado na justiça ambiental. O estudo defende a necessidade urgente de uma formação de professores que integre de maneira transversal o letramento racial e a luta contra o racismo ambiental, preenchendo as lacunas deixadas pelo currículo convencional. |