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Abstract:
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A presente monografia analisa as contribuições conceituais e críticas da Nova
Sociologia da Educação (NSE), destacando seu papel na reformulação do campo
sociológico educacional a partir da década de 1970. O estudo toma como ponto de
inflexão a publicação da coletânea Knowledge and Control (1971), organizada por
Michael Young, que marcou a transição de uma sociologia da educação funcionalista,
centrada na mobilidade social e na eficiência institucional, para uma perspectiva crítica
voltada à análise das relações entre conhecimento, poder e currículo. Fundamentada
nas contribuições de Basil Bernstein, Pierre Bourdieu, Jean-Claude Passeron e nos
debates de matriz marxista e culturalista, a NSE propôs compreender o conhecimento
escolar como construção social e expressão das disputas ideológicas que estruturam
as relações de classe. Essa mudança de paradigma permitiu questionar a suposta
neutralidade dos saberes escolares, evidenciando o caráter político da seleção,
legitimação e transmissão dos conteúdos curriculares. O trabalho discute, ainda, as
críticas dirigidas à NSE, especialmente aquelas relativas ao relativismo
epistemológico e à ausência de mediação entre cultura e estrutura e analisa como o
neomarxismo ofereceu respostas consistentes por meio das teorias da reprodução,
da ideologia e da hegemonia. Ao fim, conclui-se que a NSE se consolidou como um
marco epistemológico decisivo na história das ciências da educação, ao articular uma
crítica sistemática da racionalidade tecnocrática e propor uma sociologia do currículo
comprometida com a democratização do conhecimento e com a transformação social. |