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Abstract:
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O trabalho examina a clausura como eixo estruturante da narrativa de Pinocchio
(1957), na tradução de Monteiro Lobato, investigando de que modo experiências de
confinamento, recolhimento e suspensão do mundo organizam a passagem da
infância à adolescência. A partir de leitura analítico-interpretativa da obra, articulada à
materialidade gráfica da edição de 1957 e às transformações sofridas pelo texto em
adaptações posteriores, a pesquisa analisa como episódios de aprisionamento e
engolimento pelo peixe gigante funcionam menos como punições e mais como etapas
de um rito de passagem. O estudo discute a clausura como dispositivo narrativo e
psíquico que interrompe o curso da aventura para instaurar tempo de incubação
subjetiva, no qual o boneco confronta seus limites, reelabora o vínculo com o pai e se
abre à possibilidade de responsabilidade compartilhada. Ao aproximar tais episódios
de modelos arquetípicos de afastamento, prova e retorno, o trabalho mostra que o
amadurecimento de Pinóquio não se reduz à obediência às normas, mas se constrói
na travessia de experiências-limite que reconfiguram sua forma de estar no mundo.
Conclui-se que Pinocchio (1957) se inscreve no repertório das narrativas de formação
que, em contexto moderno, reativam imagens ancestrais de clausura, metamorfose e
renascimento. |