Compreendendo as relações tróficas entre Pessoas e recursos pesqueiros: Análise do Consumo Alimentar de Peixes na Comunidade da Barra do Rio Tijucas, Santa Catarina.

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Compreendendo as relações tróficas entre Pessoas e recursos pesqueiros: Análise do Consumo Alimentar de Peixes na Comunidade da Barra do Rio Tijucas, Santa Catarina.

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Título: Compreendendo as relações tróficas entre Pessoas e recursos pesqueiros: Análise do Consumo Alimentar de Peixes na Comunidade da Barra do Rio Tijucas, Santa Catarina.
Autor: Castro, Maisa Sousa de
Resumo: O estudo do consumo de peixes de uma população é fundamental para entender as relações da dieta e hábitos alimentares com os recursos naturais e podem refletir ajustes e adaptações demandadas pelas mudanças ambientais ocorridas localmente. As preferências e restrições alimentares são hábitos adquiridos socialmente e culturalmente e auxiliam na compreensão de fatores ecológicos e culturais das comunidades estudadas. Dentro desse contexto, destaca-se a importância do conhecimento de preferências e restrições alimentares em relação ao consumo de peixes da região. O estudo teve como objetivo descrever relações alimentares entre pessoas e os recursos pesqueiros (ictiofauna) consumidos pela comunidade da Barra do Rio em Tijucas, Santa Catarina. Este bairro foi selecionado por conter um grande número de famílias de pescadores artesanais, que retiram seu sustento através da pesca na Baía de Tijucas e no entorno da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo. A coleta dos dados etnobiológicos foi realizada através de entrevistas semi-estruturadas em dez dias não consecutivos nos meses de agosto e setembro de 2011. Os dados quantitativos foram analisados a partir da estatística descritiva. Para as análises qualitativas os dados foram agrupados em temas para melhor entendimento dos relatos. Foram realizadas 88 entrevistas nas unidades amostrais (residências); 70% eram mulheres; e 24% das famílias eram naturais do município. Foram citados 62 tipos de peixes e os mais consumidos foram a anchova (Pomatomus saltatrix), o bagre (Ariideae), o cação (Carcharhinidae sp. 1), a corvina (Micropogonias furnieri), a pescadinha (Macrodon ancylodon; Isopisthus parvinnis), a sardinha (Clupeidae) e a tainha (Mugil spp.). Os peixes com maior biomassa (Kg) consumida foram a tainha (73,3 Kg) e a corvina (64 Kg), provavelmente pelas safras terem ocorrido próximo ao período em que a pesquisa foi realizada. Para 24% dos entrevistados o consumo de peixes diminuiu após o período de 10 anos, já para 30% aumentou. Entre as principais razões para o aumento no consumo destaca-se a incorporação de hábitos alimentares, a preocupação com a saúde e a facilidade na aquisição. Já a diminuição do consumo de peixes mostra relação com a perda das tradições ligadas à pesca artesanal, além da percepção de diminuição na quantidade de peixes disponíveis na comunidade. Os padrões de preferência observados seguem critérios como: o sabor, o comportamento, o local de captura, as características físicas (tamanho, espinha) e tipo de preparo. Existe a preferência por peixes de escama em relação aos 10 peixes “lisos”; e por peixes de hábito carnívoro em detrimento aos de hábito detritívoro. Os padrões de restrição alimentar dos peixes estão relacionados principalmente ao sabor, características morfológicas, comportamentais, odoríferas e alimentares dos peixes, assim como a possibilidade de indigestão e o local de captura. Peixes como bagre, sardinha, arraias, corvina e cação foram os mais restringidos pela comunidade da Barra do Rio. Como conclusão, o consumo de peixes e suas preferências e aversões estão relacionados com fatores ambientais, como a disponibilidade do pescado e a posição na cadeia trófica, quanto com aspectos culturais que podem ser reflexo das mudanças do contexto ambiental, econômico e social da comunidade estudada.
Descrição: TCC(graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências Biológicas. Biologia.
URI: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/132590
Data: 2012


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