Pescando conhecimento pelo saber tradicional: reconhecimento individual e aspectos etnoecológicos do boto-da-tainha, Tursiops truncatus, por pescadores artesanais de Laguna, Sul do Brasil

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Pescando conhecimento pelo saber tradicional: reconhecimento individual e aspectos etnoecológicos do boto-da-tainha, Tursiops truncatus, por pescadores artesanais de Laguna, Sul do Brasil

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Título: Pescando conhecimento pelo saber tradicional: reconhecimento individual e aspectos etnoecológicos do boto-da-tainha, Tursiops truncatus, por pescadores artesanais de Laguna, Sul do Brasil
Autor: Rosa, Daiane Soares Xavier da
Resumo: O boto-da-tainha, Tursiops truncatus, ocorre em toda a costa sul do Brasil, com destaque para a população residente nas águas próximas ao município de Laguna (SC), que pesca “cooperativamente” com pescadores artesanais. Este trabalho busca descrever e analisar a percepção dos pescadores quanto ao boto-da-tainha e quanto a este evento de pesca cooperativa. Assim, entrevistas estruturadas foram realizadas para: descrever o perfil dos pescadores que interagem com o boto; testar a hipótese de que os pescadores reconhecem os botos individualmente, descrevendo como se dá este processo; coletar informações sobre nome dos botos, sexo e padrões comportamentais; e identificar possíveis ameaças para a conservação desta população. As entrevistas se deram através da aplicação de questionários, com prévia autorização dos entrevistados. Dos 38 entrevistados, 60% possuem idade acima dos 50 anos e participam da pesca cooperativa há mais de 20, evidenciando a importância desta atividade como tradição local. A maioria dos pescadores aprendeu a arte da pesca com os pais, sinalizando uma típica transmissão vertical do conhecimento. Em geral, pescadores que aprenderam a pescar sozinhos discordam ao reconhecer os botos, o que pode indicar um menor conhecimento adquirido. Todos os entrevistados reconheceram pelo menos uma das fotos que lhes foi apresentada sendo que apenas 6,7% delas nunca foram reconhecidas. Aparentemente, botos que possuem marcas de longa duração ou doenças epidérmicas são mais facilmente reconhecidos pelos pescadores. O tipo de marca na nadadeira dorsal também foi determinante no que diz respeito à concordância no reconhecimento entre os pescadores, com relação às fotos apresentadas. Apenas uma das fotografias apresentou concordância total, sendo reconhecida todas as vezes pelo nome de “Caroba”. Outros dois botos também apresentaram valores altos de concordância. Botos considerados “mais velhos”, segundo os pescadores, e que participam da pesca cooperativa, são identificados com maior grau de certeza. A rede de bagre é uma arte de pesca proibida na região e de grande conflito local, sendo apontada pela maioria dos entrevistados (70%) como a principal causa de morte de botos na área. Entre as sugestões apresentadas pelos pescadores para a proteção dos botos, destaca-se a proibição e uma fiscalização mais efetiva com relação à pesca do bagre. Este trabalho também compara as informações científicas e tradicionais e mostra como estas últimas são de fundamental importância na complementação e entendimento do cenário vi local e na construção de uma proposta de manejo e/ou conservação do boto e de seu ecossistema.
Descrição: TCC(graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências Biológicas. Biologia.
URI: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/132579
Data: 2012


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