Abstract:
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Este trabalho discute a Educação Infantil no contexto das políticas educacionais, focalizando o estudo no documento Indicador de Qualidade da Educação Infantil. Objetiva descrever e analisar concepções de corpo presentes naquele documento e identificar os modos como elas se recolocam nas práticas pedagógicas de professores que atuam nesta etapa da Educação Básica. Partindo dos discursos contemporâneos que buscam um distanciamento das práticas assistencialistas e compensatórias que demarcam a trajetória destas instituições, procura observar se este distanciamento aparece (ou não), fundado em novas ou distintas concepções de corpo, que, por sua vez, produziriam outros modos de relação, outras técnicas e cuidados a ele destinados. Os resultados apontam para: a) a centralidade de concepções e práticas orientadas para o corpo-organismo e apoiadas em uma de ideia de cuidado e de autonomia típicas do paradigma biomédico; b) a inserção, ainda que mínima, de concepções vinculadas ao corpo relacional – demarcado por relações sócio-culturais como a violência, os preconceitos étnicos, de sexo entre outras formas corporais de exclusão social, assim como por padrões estéticos estereotipados e pela indiferença à dor e ao sofrimento –, em contraposição a toda forma de barbárie que sobre ele se inscreve e deixa marcas. |