| Title: | Relações entre parental gatekeeping e coparentalidade e suas repercussões no comportamento de crianças |
| Author: | Santos, Tamires Dias dos |
| Abstract: |
A qualidade do relacionamento interparental desempenha um papel significativo no comportamento e no desenvolvimento infantil, podendo tanto estimular quanto prejudicar esse processo. Dentre as caracterÃsticas desse relacionamento que se destacam como preditores da parentalidade e do desenvolvimento infantil pesquisadores ressaltam a importância da coparentalidade - maneira como as figuras parentais colaboram para criar determinado filho; e mais especificamente do parental gatekeeping - regulação da interação da dupla parental com o filho, por meio de comportamentos encorajadores, desencorajadores e/ou controladores. Não há consenso na literatura sobre a relação entre esses dois fenômenos do relacionamento interparental. Enquanto parte dos pesquisadores considera o parental gatekeeping como uma dimensão da coparentalidade, outros o destacam como um fenômeno que apesar de estabelecer relações diferencia-se da relação coparental. Dado que estudos indicam que esses dois fenômenos podem ser fatores de risco e/ou proteção para o desenvolvimento infantil. Estudar as relações entre esses fenômenos e entender seus efeitos no comportamento infantil pode ampliar o conhecimento sobre a dinâmica familiar e fornecer subsÃdios para a elaboração de intervenções familiares. Assim, esta tese teve como objetivo verificar as relações entre o parental gatekeeping e a coparentalidade, bem como suas repercussões no comportamento infantil. Para isso foram desenvolvidos quatro estudos: Estudo 1- foi realizado um estudo teórico sobre os modelos contemporâneos do parental gatekeeping e da coparentalidade, além de uma reflexão sobre as possÃveis relações entre os fenômenos e seus efeitos no comportamento da criança; Estudo 2- realizou-se um estudo empÃrico sobre os efeitos do parental gatekeeping e da coparentalidade no comportamento das crianças. Participaram desse estudo 447 pais e mães, que responderam à Escala de Relacionamento Coparental (ERC), à Escala de Gatekeeping Parental e ao Questionário de Capacidades e Dificuldades (SDQ). Por meio das análises de regressão linear múltipla, constatou-se que, no contexto do parental gatekeeping, o encorajamento promoveu comportamentos pró-sociais e reduziu os problemas nas relações com pares, enquanto o desencorajamento contribuiu para aumentar os problemas internalizantes. Em relação à coparentalidade, o acordo coparental atenuou problemas externalizantes e dificuldades totais, enquanto o conflito promoveu esses problemas; Estudo 3 - Teve como objetivo a adaptação transcultural da Maternal Gatekeeping Scale (MGS) para o contexto brasileiro; modificar esta escala para Escala de Gatekeeping Parental (EGP) e investigar as evidências de validade psicométrica dessa medida. A EGP permite que qualquer figura parental possa respondê-la e avalia a autopercepção do gatekeeping parental e a percepção do gatekeeping parental da dupla coparental. A fim de buscar evidências de validade do construto, critério e precisão, aplicou-se a EPG em 649 pais e mães com filhos entre 3 e 16 anos. Por meio de análise fatorial confirmatória, o modelo composto por três fatores com 13 itens se mostrou adequado, assim como a versão breve composta por 9 itens. A estrutura da EGP em ambas versões se mostrou invariável entre as diferentes faixas etárias dos filhos. Assim, resultou-se em diferentes versões da escala: EGP - autopercepção, versão longa; EGP - autopercepção, versão breve; EGP â percepção da dupla, versão longa; EGP â percepção da dupla, versão breve. Todas as versões da EGP demonstraram propriedades psicométricas favoráveis e evidências de que se trata de uma medida confiável e válida. Estudo 4- objetivou testar um modelo de equação estrutural das relações entre o parental gatekeeping e a coparentalidade e suas repercussões no comportamento infantil. Participaram 447 pais brasileiros, a maioria mães (350), com filhos com idades entre três e onze anos e desenvolvimento tÃpico, que responderam a ERC, a versão breve da EGP e ao SDQ. A partir do Modelo da Estrutura Interna e Contexto Ecológico da Coparentalidade e da teoria da Abstract: The quality of interparental relationships plays a significant role in children's behavior and development, potentially both stimulating and hindering this process. Among the characteristics of this relationship that stand out as predictors of parenting and child development, researchers emphasize the importance of coparenting â the way in which parental figures collaborate to raise a child; and more specifically, parental gatekeeping â the regulation of the parental pair's interaction with the child through encouraging, discouraging, and/or controlling behaviors. There is no consensus in the literature on the relationship between these two interparental relationship phenomena. While some researchers consider parental gatekeeping as a dimension of coparenting, others highlight it as a distinct phenomenon that, despite establishing relationships, differs from coparental relationships. Given that studies indicate these two phenomena can be risk and/or protective factors for child development, studying the relationships between these phenomena and understanding their effects on child behavior can broaden knowledge about family dynamics and provide a basis for developing family interventions. Thus, this thesis aimed to verify the relationships between parental gatekeeping and coparenting, as well as their repercussions on child behavior. For this purpose, four studies were developed: Study 1- A theoretical study on contemporary models of parental gatekeeping and coparenting, along with a reflection on the possible relationships between the phenomena and their effects on child behavior. Study 2- An empirical study on the effects of parental gatekeeping and coparenting on child behavior. This study involved 447 parents who responded to the Coparenting Relationship Scale (CRS), the Parental Gatekeeping Scale, and the Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ). Through multiple linear regression analyses, it was found that within the context of parental gatekeeping, encouragement promoted prosocial behaviors and reduced problems in peer relationships, while discouragement contributed to increasing internalizing problems. Regarding coparenting, coparental agreement mitigated externalizing problems and total difficulties, whereas conflict promoted these problems. Study 3- The objective was the cross-cultural adaptation of the Maternal Gatekeeping Scale (MGS) to the Brazilian context, modification of this scale to the Parental Gatekeeping Scale (PGS), and investigation of the psychometric validity evidence of this measure. The PGS allows any parental figure to respond and evaluates self-perception of parental gatekeeping and the perception of the coparental pair's gatekeeping. To seek construct, criterion, and precision validity evidence, the PGS was applied to 649 parents with children aged 3 to 16 years. Through confirmatory factor analysis, the model composed of three factors with 13 items was found to be adequate, as was the brief version composed of 9 items. The PGS structure in both versions was invariant across different age groups of the children. Thus, different versions of the scale were produced: PGS â self-perception, long version; PGS â self-perception, brief version; PGS â pair perception, long version; PGS â pair perception, brief version. All versions of the PGS demonstrated favorable psychometric properties and evidence of being a reliable and valid measure. Study 4- The aim was to test a structural equation model of the relationships between parental gatekeeping and coparenting and their repercussions on child behavior. This study involved 447 Brazilian parents, mostly mothers (350), with children aged between three and eleven years with typical development, who responded to the CRS, the brief version of the PGS, and the SDQ. Based on the Internal Structure Model and the Ecological Context of Coparenting and the social construction of gender theory, the proposed structural model tested the control dimension (parental gatekeeping) as an independent variable and the coparenting dimensions and other par |
| Description: | Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Florianópolis, 2024. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/277328 |
| Date: | 2024 |
| Files | Size | Format | View |
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| PPSI1124-T.pdf | 2.292Mb |
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