| Title: | O desafio de respeitar a natureza: reflexões sobre a teoria ética ambiental de Paul W. Taylor no debate ético-filosófico contemporâneo |
| Author: | Mota, Rosane Maria |
| Abstract: |
O debate contemporâneo sobre o desenvolvimento de uma teoria Ética Ambiental teve impulso nos anos de 1970. O aprofundamento da questão trouxe muitas divergências em diferentes aspectos, especialmente quanto a visão a ser adotada como seu fundamento. Existem dois lados em disputa, os partidários de uma perspectiva antropocentrista de defesa da natureza como fonte de recursos, com foco essencialmente nos valores humanos. No outro lado, estão os pensadores que defendem uma abordagem diferente para ética ambiental. Para ser genuína e aplicável, uma teoria ética ambiental precisa renunciar ao antropocentrismo, adotando em seu lugar perspectivas mais abrangentes e inclusivas, como o biocentrismo e o ecocentrismo. A catástrofe iminente não se limita às mudanças no clima. Nela também podemos destacar a destruição de ambientes, poluição, esgotamento da capacidade de resiliência do planeta, a consequente perda de biodiversidade com a acelerada extinção de indivíduos (e com eles suas espécies). Esses fatores tornam urgente não só a discussão, mas o estabelecimento de limites ao avanço predatório de alguns grupos humanos, naquelas áreas em que a vida ainda segue naturalmente seu curso. Diante de tal cenário, esta pesquisa tem como objetivo principal analisar e refletir sobre as dificuldades e possibilidades de desenvolvimento de uma teoria ética ambiental e defender a perspectiva de um igualitarismo biocêntrico proposto por Paul W. Taylor, como uma importante alternativa disponível ao antropocentrismo e sencientismo. Embora tenha sido alvo de críticas, muitos dos problemas apontados na teoria decorrem de análises apressadas dos conceitos e do que está proposto pelo autor. Contudo, a observância de certos princípios, como a prioridade do Mal Mínimo, envolve problemas mais profundos contornáveis quando nos debruçamos mais detidamente na importância de um conceito pouco explorado pelo autor: o cuidado. A metodologia adotada foi a de revisão bibliográfica, com abordagem de aspectos históricos do movimento ambiental, análise das discussões sobre critérios de demarcação, visões de mundo e do valor. Nesse percurso, a teoria ética ambiental de Paul W. Taylor é retomada, com o aprofundamento da reflexão sobre os desafios e possibilidades de seus fundamentos e aplicação. Os resultados da investigação demonstram que a teoria tem mérito e, também, problemas que podem ser contornáveis. O principal problema que constatamos, além dos já apontados por críticos da teoria, se refere a aplicação do Princípio do Mal Mínimo. Concluímos que a prioridade assegurada pelo princípio a certos interesses humanos não básicos, em detrimento do interesse básico de sobrevivência dos outros seres envolvidos na disputa, demonstra a existência de um antropocentrismo residual na teoria, que compromete a atitude de respeito, como uma máxima da relação com a natureza, e enfraquece sua principal regra de conduta: a não-maleficência. Uma das maneiras de contornar o problema seria adotar o cuidado como uma atitude complementar ao respeito. No lugar de virtude, o cuidado poderia ser adotado como uma forma de saber, tendo como base a abordagem do conceito usado no cognitivismo prático, teoria metaética proposta por Darlei Dall?Agnol. Abstract: The contemporary debate regarding the development of an Environmental Ethical theory gained momentum in the 1970s. A closer examination of the issue has led to many disagreements on various points, especially regarding the perspective to be adopted as its basis. There are two opposing sides : proponents of an anthropocentric perspective that views nature as a source of resources, focusing essentially on human values. In another school of thought, there are thinkers who advocate for an environmental ethical approach that rejects anthropocentrism as genuine. On the other side, there are thinkers who advocate a different approach to environmental ethics. To be genuine and applicable, an environmental ethics must move away from anthropocentrism and adopt, in its place, broader and more inclusive perspectives, such as biocentrism and ecocentrism. A looming catastrophe is not limited to climate change. It also encompasses environmental destruction, pollution, and the exhaustion of the planet?s resilience ? along with the resulting loss of biodiversity and the accelerated extinction of individual organisms (and, with them, their species). These factors make it urgent not only to discuss but also to establish limits on the predatory expansion of certain human groups into areas where life still follows its natural course. Given this scenario, the primary objective of this research is to analyze and reflect upon the difficulties and possibilities involved in developing an environmental ethical theory, and to advocate for the biocentric egalitarian perspective proposed by Paul W. Taylor as an important alternative to anthropocentrism and sentientism. Although it has been subject to criticism, many of the problems pointed out in the theory stem from hasty analyses of the concepts and what the author proposes. However, adherence to certain principles, such as the priority of the Minimum Wrong, entails deeper problems that can get round when we examine more closely the importance of a concept little explored by the author : the care. The methodology adopted was a literature review, addressing historical aspects of the environmental movement and analyzing discussions regarding demarcation criteria, worldviews, and value. In this process, Paul W. Taylor?s environmental ethics theory is revisited, deepening the reflection on the challenges and possibilities associated with its foundations and application. The results of the research show that the theory has merit, but also has problems that can be overcome. The main problem we have identified, apart from those already highlighted by critics of the theory, concerns the application of the Principle of the Minimum Wrong. We conclude that the priority grants to certain non-basic human interests, to the detriment of the basic survival interests of other beings involved in the dispute, demonstrates the existence of a residual anthropocentrism in the theory ; this compromises the attitude of respect as a maxim governing the relationship with nature and weakens its primary rule of conduct : non-maleficence. One way of getting round the problem would be to adopt care as an attitude that complements respect. Rather than a virtue, care could be adopted as a form of knowledge, based on the conceptual approach used in practical cognitivism, a metaethical theory proposed by Darlei Dall?Agnol. |
| Description: | Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa Programa de Pós-Graduação em Filosofia, Florianópolis, 2026. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/277093 |
| Date: | 2026 |
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| PFIL0550-T.pdf | 1.602Mb |
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