| Title: | Risco operacional bancário: estruturas de governança corporativa e consequências para depositantes e reguladores |
| Author: | Pires, Paulo Alexandre da Silva |
| Abstract: |
Entre os principais riscos bancários, o risco operacional se mostra particularmente desafiador dada sua complexidade de mensuração, diversidade de origens e imprevisibilidade de consequências. Nesse cenário, as instituições financeiras adotam mecanismos de governança como estratégia de gestão de riscos; contudo, dada a natureza distinta do risco operacional, a literatura ainda apresenta lacunas sobre como diferentes estruturas de governança corporativa contribuem para sua mitigação e sobre como esse risco afeta o acesso a recursos fornecidos por stakeholders. Com base na Teoria da Dependência de Recursos, o objetivo geral desta tese é analisar a influência das estruturas do conselho de administração e do comitê de auditoria sobre o risco operacional bancário e as consequências desse risco sobre o custo de captação e o capital buffer. O risco operacional foi mensurado em duas perspectivas. Na perspectiva regulatória, utilizou-se uma medida baseada no capital calculado pela Abordagem do Indicador Básico e uma proxy residual construída a partir dos ativos ponderados pelo risco. Na perspectiva operacional, foi utilizado um componente principal formado por indicadores de intensidade e eficiência das despesas operacionais e de volatilidade do desempenho bancário. Os dados abrangem uma amostra global de bancos. As análises principais compreendem o período de 2012 a 2024 e utilizam painéis desbalanceados. Os modelos foram estimados por mínimos quadrados ordinários, com efeitos fixos de ano, variáveis de controle nos níveis bancário e nacional e erros-padrão clusterizados por banco. Os resultados mostram que a dualidade entre CEO e presidente do conselho está positivamente associada ao risco operacional. O tamanho do conselho apresenta associação negativa, enquanto o tempo médio de permanência dos conselheiros apresenta associação negativa apenas na especificação baseada na parcela residual dos ativos ponderados pelo risco. A independência do conselho apresenta associações positivas e a frequência de reuniões demonstra relações não lineares. Em relação ao comitê de auditoria, sua presença está positivamente associada à proxy vinculada às operações. A expertise financeira e a participação de membros não executivos estão positivamente associadas apenas à medida operacional. Quanto às consequências do risco operacional, este apresentou associações positivas com o custo dos depósitos, o custo total de captação e o capital buffer. Em conjunto, os resultados fornecem suporte à tese proposta, uma vez que as relações entre as estruturas de governança e o risco operacional são heterogêneas e não evidenciam uma capacidade uniforme de mitigação. Por outro lado, os achados indicam que o risco operacional está associado às condições de obtenção de recursos e à quantidade de capital mantida pelas instituições acima do mínimo regulatório. Esta tese contribui para a Teoria da Dependência de Recursos ao demonstrar que as estruturas internas de governança e as relações externas de provimento de recursos estão associadas ao risco operacional. Os achados apresentam implicações para bancos, reguladores e provedores de recursos, ao indicar que características formais de governança não produzem resultados homogêneos e que maiores níveis de risco operacional estão associados a custos de captação mais elevados e à manutenção de maior margem prudencial de capital. Abstract: Among the main banking risks, operational risk is particularly challenging due to its measurement complexity, diversity of sources, and unpredictability of consequences. In this context, financial institutions adopt governance mechanisms as a risk management strategy. However, given the distinct nature of operational risk, gaps remain in the literature regarding how different corporate governance structures contribute to its mitigation and how this risk affects access to resources provided by stakeholders. Based on Resource Dependence Theory, the general objective of this thesis is to analyze the influence of the structures of the board of directors and the audit committee on bank operational risk, as well as the consequences of this risk for funding costs and capital buffers. Operational risk was measured from two perspectives. From a regulatory perspective, the study used a measure based on capital calculated under the Basic Indicator Approach and a residual proxy constructed from risk-weighted assets. From an operational perspective, a principal component formed by indicators of operating expense intensity and efficiency and bank performance volatility was used. The data cover a global sample of banks. The main analyses comprise the period from 2012 to 2024 and use unbalanced panels. The models were estimated using ordinary least squares, with year fixed effects, bank- and country-level control variables, and standard errors clustered at the bank level. The results show that CEO duality is positively associated with operational risk. Board size presents a negative association, whereas the average tenure of board members presents a negative association only in the specification based on the residual component of risk-weighted assets. Board independence presents positive associations, and board meeting frequency exhibits nonlinear relationships. Regarding the audit committee, its presence is positively associated with the proxy linked to banking operations. Financial expertise and the participation of non-executive members are positively associated only with the operational measure. Concerning the consequences of operational risk, it presents positive associations with the cost of deposits, the total cost of funding, and the capital buffer. Overall, the results provide support for the proposed thesis, as the relationships between governance structures and operational risk are heterogeneous and do not indicate a uniform mitigation capacity. On the other hand, the findings indicate that operational risk is associated with the conditions under which resources are obtained and with the amount of capital maintained by institutions above the regulatory minimum. This thesis contributes to Resource Dependence Theory by demonstrating that internal governance structures and external resource-provision relationships are associated with operational risk. The findings have implications for banks, regulators, and resource providers by indicating that formal governance characteristics do not produce homogeneous outcomes and that higher levels of operational risk are associated with higher funding costs and the maintenance of a larger prudential capital margin. |
| Description: | Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Sócio-Econômico, Programa de Pós-Graduação em Contabilidade, Florianópolis, 2026. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/276793 |
| Date: | 2026 |
| Files | Size | Format | View |
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| PPGC0338-T.pdf | 2.089Mb |
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