Navegando na dor: infortúnio, dores de cabeça e medicamentos entre os Wai Wai do Pará

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Navegando na dor: infortúnio, dores de cabeça e medicamentos entre os Wai Wai do Pará

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Title: Navegando na dor: infortúnio, dores de cabeça e medicamentos entre os Wai Wai do Pará
Author: Harayama, Rui Massato
Abstract: Esta tese apresenta a etnografia realizada com os Wai Wai em seus processos de significação e compreensão do infortúnio, com destaque para o momento em que ela passa a ser compreendida como ?dor de cabeça? a partir do diálogo com profissionais da saúde. Parte-se do pressuposto de que a experiência indígena com o sofrimento e infortúnio não se limita aos momentos em que os mesmos acessam os serviços de saúde, mas é informada por atores humanos e não-humanos, a partir de práticas, memórias e gramáticas compostas de forma individual e coletiva, baseada nas discussões da antropologia da saúde e nos desenvolvimentos teóricos sobre a intermedicalidade e autoatenção. Para demonstrar o argumento apresenta-se o cotidiano de uma aldeia, a ideia de alma e de corpo, momentos de abertura de roça e participação nas atividades da igreja constatando como a suspeita e fofoca são elementos de organização social que informam modos de compreender o infortúnio. Para exemplificar esses modelos de ação apresentamos a história do Preguiça, o mito de Ewka e o caso do infortúnio do antropólogo que demonstram como formas de proximidade e distanciamento social, o uso correto e comedido da palavra, da ação e da intenção, tornam-se elementos acionados em momentos de adversidades. Essa forma de compreender o infortúnio possibilita a análise da entrada dos medicamentos entre os Wai Wai como um dos elementos agenciados em seus caminhos e percursos no convívio com a dor. Os casos analisados por meio de conversas com infortunados e o seu círculo social, profissionais de saúde, pajés, feiticeiros e consulta aos prontuários demonstram diferentes composições e arranjos para a compreensão dos infortúnios e formas para dirimir ou finalizar o sofrimento. Os resultados indicam que o modelo de indigenização da política de assistência à saúde ressaltam a incomensurabilidade da experiência do infortúnio Wai Wai com modelos homogeneizantes, mesmo os baseados em práticas diferenciadas, assim como aponta para os limites da compreensão de elementos coletivos e não-humanos dentro da noção de saúde mental.Abstract: This thesis presents the ethnography conducted with Wai Wai people on their processes of meaning-making and understanding misfortune, highlighting the moment when it comes to be understood as a ?headache? through dialogue with healthcare professionals. This research is based on the premise that indigenous experience with suffering and misfortune is not limited to the moments when they access health services, but is informed by human and non-human actors, through practices, memories, and grammars composed individually and collectively, grounded in discussions within the anthropology of health and theoretical developments on intermedicality and autoaténcion. To demonstrate this argument, we present the daily life of a village, along with the concepts of soul and body, moments of clearing land for cultivation, and participation in church activities, revealing how suspicion and gossip are elements of social organization that inform ways of understanding misfortune. To exemplify these action models, we present the Sloth´s story, the myth of Ewka, and the case of the anthropologist's misfortune, which demonstrate how forms of social proximity and distance, the correct and measured use of words, actions, and intentions, become elements activated in moments of adversity. This way of understanding misfortune allows for the analysis of the entry of medicines among the Wai Wai as one of the elements managed in their paths and journeys in coping with pain. The cases analyzed through conversations with those who suffered and their social circle, health professionals, shamans, sorcerers, and consultation of medical records demonstrate different compositions and arrangements for understanding misfortunes and ways to alleviate or end suffering. The results indicate that the indigenization model of healthcare policy highlights the incommensurability of the Wai Wai misfortune experience with homogenizing models, even those based on differentiated practices, as well as pointing to the limits of understanding collective and non-human elements within the notion of mental health.
Description: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Florianópolis, 2026.
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/276714
Date: 2026


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