Inflamação durante a gestação: Modelo translacional de programação fetal e alterações comportamentais relacionadas ao transtorno do espectro autista

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Inflamação durante a gestação: Modelo translacional de programação fetal e alterações comportamentais relacionadas ao transtorno do espectro autista

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Title: Inflamação durante a gestação: Modelo translacional de programação fetal e alterações comportamentais relacionadas ao transtorno do espectro autista
Author: Führ, Eduarda
Abstract: Introdução: O conceito das Origens Desenvolvimentistas da Saúde e da Doença (DOHaD) propõe que exposições ambientais durante períodos críticos do desenvolvimento podem produzir alterações persistentes na fisiologia e no comportamento dos indivíduos. Nesse contexto, a gestação representa uma janela particularmente sensível, na qual alterações no ambiente materno podem interferir no desenvolvimento fetal e modificar trajetórias do neurodesenvolvimento. Entre essas alterações, a inflamação materna durante a gestação tem sido associada a maior risco de transtornos do neurodesenvolvimento, incluindo o transtorno do espectro autista (TEA). Objetivo: Caracterizar as consequências da inflamação gestacional sobre a resposta materna, os desfechos reprodutivos e o comportamento da prole. Método: Camundongas Swiss prenhes receberam, no décimo sexto dia gestacional, uma única administração de lipopolissacarídeo bacteriano (LPS; Escherichia coli O26:B6; 500 µg/kg, i.p.) ou solução salina. A resposta materna ao desafio imune foi caracterizada pela atividade locomotora e imobilidade após duas horas e pelo consumo alimentar e variação do peso corporal após 24 horas. Foram avaliados o sucesso gestacional, o número de filhotes nascidos vivos e o peso da ninhada. Nos descendentes sobreviventes, foram avaliados o crescimento corporal, o retorno ao ninho durante o desenvolvimento pós-natal e, na adolescência, a interação social, o comportamento repetitivo e a atividade locomotora. O estudo foi aprovado pela Comissão de Ética no Uso de Animais da Universidade Federal de Santa Catarina (CEUA nº 8632230724). Resultados: A exposição ao LPS reduziu a atividade locomotora materna (p<0,0001) e aumentou a imobilidade (p<0,001) duas horas após a administração. Após 24 horas, houve redução do consumo alimentar (p<0,0001) e perda de peso (p<0,0001), caracterizando sickness behavior. O desafio inflamatório resultou em 49,1% de insucesso gestacional, comparado a 0% no grupo controle, e reduziu o número de filhotes nascidos vivos e o peso total das ninhadas (p<0,0001 para ambos), sem alterar o peso individual dos filhotes. Nos descendentes sobreviventes, o crescimento corporal pós-natal foi preservado. Nos machos, a exposição pré-natal ao LPS aumentou a latência para o retorno ao ninho (p<0,01) e o comportamento repetitivo (p<0,05), além de reduzir a frequência de interação social (p<0,01) e o tempo de interação social (p<0,001). Nas fêmeas, houve redução da frequência (p<0,05) e do tempo de interação social (p<0,01), sem alterações significativas no retorno ao ninho ou no comportamento repetitivo. A atividade locomotora na adolescência não foi alterada em nenhum dos sexos. Conclusão: A ativação imune durante uma janela crítica da gestação induz sickness behavior materno, compromete os desfechos reprodutivos e produz alterações comportamentais persistentes na prole, mesmo na ausência de prejuízo ao crescimento corporal dos descendentes sobreviventes. Os achados reforçam o conceito de programação fetal proposto pelo DOHaD e demonstram como uma alteração transitória no ambiente materno pode produzir consequências duradouras sobre o neurodesenvolvimento da prole.
Description: Tecnologia e inovação
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/276575
Date: 2026-09-15


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