O (des)ajuste do corpo com deficiência

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O (des)ajuste do corpo com deficiência

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Title: O (des)ajuste do corpo com deficiência
Author: Belatto, Michelle
Abstract: Esta dissertação é um (des)ajuste entre meu corpo, com baixa visão, e as exigências acadêmicas de um mestrado em filosofia. Ela expande a noção de escrita para incluir voz, fala, registros em áudio e outras formas corporificadas de expressão, mostrando que produzir e apresentar conhecimento também é uma prática fenomenológica enraizada na experiência concreta do corpo e não apenas em conceitos teóricos. Com base na fenomenologia de Maurice Merleau-Ponty, que compreende a percepção como anterior a qualquer análise intelectual ou científica, destaco sua crítica às abordagens empiristas e intelectualistas que tratam a visão como uma função mecânica ou meramente mental. Para Merleau-Ponty, vemos com o corpo inteiro, de modo que podemos compreender que a baixa visão não se limita a uma deficiência ocular isolada, mas se expressa na minha forma de estar no mundo, numa relação contínua e dinâmica entre corpo e ambiente. A emergência de um subcampo recente, chamado de fenomenologia crítica, aprofunda essa perspectiva ao articular descrição do vivido e análise das estruturas opressivas que moldam a experiência. Nesse sentido o conceito de (des)ajuste, de Rosemarie Garland-Thomson, surge como chave para pensar a tensão entre o corpo com baixa visão e os ambientes que estruturam a vida social e acadêmica. O (des)ajuste revela a instabilidade do corpo habitual e a necessidade de reconfigurar constantemente o esquema e a intencionalidade corporais, indicando que a percepção é sempre situada. Reconhecer o (des)ajuste como condição de experiência torna evidente que o corpo com deficiência questiona normas, categorias e hábitos, oferecendo uma perspectiva crítica sobre o mundo e a própria filosofia.Abstract: This dissertation is a misfitting between my body, with low vision, and the academic criteria of a master's degree in philosophy. It expands the notion of writing to include voice, speech, audio recordings, and other embodied forms of expression, showing that producing and presenting knowledge is also a phenomenological practice rooted in the concrete experience of the body and not just in theoretical concepts. Based on the phenomenology of Maurice Merleau-Ponty, who understands perception as prior to any intellectual or scientific analysis, I highlight his critique of empiricist and intellectualist approaches that treat vision as a mechanical or merely mental function. For Merleau-Ponty, we see with the whole body, so we can understand that low vision is not limited to an isolated ocular disability, but is expressed in my way of being in the world, in a continuous and dynamic relationship between body and environment. The emergence of a recent subfield, called critical phenomenology, deepens this perspective by articulating description of the vivid and analysis of the oppressive structures that shape experience. In this sense, Rosemarie Garland-Thomson's concept of misfitting emerges as key to understanding the tension between the visually impaired body and the environments that structure social and academic life. Misfitting reveals the instability of the habitual body and the need to constantly reconfigure the bodily schema and intentionality, indicating that perception is always situated. Recognizing misfitting as a condition of experience makes it evident that the disabled body questions norms, categories, and habits, offering a critical perspective on the world and philosophy itself.
Description: Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa Programa de Pós-Graduação em Filosofia, Florianópolis, 2026.
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/276427
Date: 2026


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