|
Abstract:
|
A busca por materiais que aliem resistência
mecânica, baixo custo e rápida produção gerou,
nas últimas décadas, um aumento na demanda
por polímeros sintéticos como poliéster (PET)
para diversas aplicações têxteis. Apesar de sua
conveniência, ao longo de sua vida útil e pósdescarte,
estes polímeros geram um tipo de
poluição difícil de combater: os microplásticos.
Os microplásticos são notórios por serem
encontrados em todos os ecossistemas,
colocando em risco não somente a vida
silvestre e aquática, como também a saúde
humana. Como estratégia para a redução da
liberação de microplásticos, recobrimentos com
biopolímeros, como a quitosana, vêm sendo
estudados. Ao entrar em contato com um tecido
que passou por hidrólise alcalina, uma ligação
eletrostática pode se formar, garantindo uma
boa adesão do revestimento. Este trabalho teve
como objetivo avaliar o efeito da hidrólise alcalina e do recobrimento com soluções de
quitosana em diferentes concentrações (0,25,
0,75 e 1,25% m/v) na liberação de
microplásticos de tecidos de poliéster. Foram
realizadas simulações de ciclos de lavagem a
40 °C, e a água de lavagem foi coletada e
filtrada por meio de microfiltros para
quantificação das microfibras liberadas. Os
resultados indicaram que as amostras que
passaram por hidrólise liberaram menos
microplásticos do que as não hidrolisadas. Em 5
ciclos, a amostra com hidrólise e 1,25% de
quitosana reduziu a liberação em 68% em
comparação com o tecido não tratado. A
liberação tendeu a aumentar em 20 ciclos,
sugerindo que o recobrimento de quitosana é
removido nas lavagens iniciais. Ao final de 20
ciclos, a redução da massa total liberada foi de
38% para o melhor tratamento (hidrólise + 1,25
% quitosana). Essa condição foi utilizada para a incorporação do agente ativo citral, visando
formar um tecido antimicrobiano. Os ensaios
contra Escherichia coli e Staphylococcus aureus
indicaram atividade por contato e inibição na
concentração de citral de 1%. Ensaios de
lavagem indicaram que a concentração de citral
não influencia a liberação de microplásticos. Ao
final de 20 ciclos, a redução foi de 38% em
comparação com a amostra sem tratamento. De
forma geral, o estudo indica que a
funcionalização com quitosana representa uma
estratégia promissora para a redução da
liberação de microplásticos de tecidos de
poliéster. |