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Abstract:
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A utilização intensiva de agrotóxicos constitui uma importante preocupação ambiental e de saúde pública. Entre os fungicidas amplamente utilizados encontra-se o mancozeb (MZ), pertencente à classe dos ditiocarbamatos e associado a potenciais efeitos neurotóxicos, incluindo estresse oxidativo, disfunção mitocondrial e alterações dopaminérgicas, mecanismos relacionados à doença de Parkinson (DP). A micróglia, principal célula imune residente do sistema nervoso central, participa da manutenção da homeostase neural e da resposta a estímulos nocivos, podendo contribuir para processos neuroinflamatórios. Nesse contexto, este estudo avaliou os efeitos do MZ sobre células de micróglia murina BV-2, com ênfase na citotoxicidade, alterações morfológicas e produção de óxido nítrico (NO). As células foram expostas a concentrações crescentes de MZ para determinação da curva concentração-resposta, sendo selecionadas as concentrações de 5, 20 e 55 µM para exposições de 1, 3, 6, 12, 24 e 48 horas. A viabilidade celular foi avaliada pelo ensaio de MTT, a morte celular pelo iodeto de propídio (IP) e a produção de NO pela quantificação de nitrito pelo método de Griess. Também foram realizadas análises morfológicas por microscopia de contraste de fase. Os resultados demonstraram alterações celulares dependentes da concentração e do tempo de exposição. O MTT evidenciou redução progressiva da atividade metabólica, principalmente nas concentrações de 20 e 55 µM, com maior efeito em 55 µM, na qual a viabilidade atingiu aproximadamente 20% e 11% do controle após 24 e 48 horas, respectivamente. Em contraste, os efeitos observados pelo IP foram mais restritos, sugerindo que alterações metabólicas podem preceder alterações mais extensas na integridade da membrana. A análise morfológica revelou arredondamento celular, retração dos prolongamentos, redução do espalhamento e perda de adesão, especialmente nas maiores concentrações e nos períodos mais prolongados. O MZ isoladamente não aumentou a produção de NO, sendo observada redução dos níveis com o aumento da concentração. O LPS promoveu aumento da produção de NO, enquanto a coexposição ao MZ atenuou essa resposta. Entretanto, como iNOS e as vias de sinalização relacionadas não foram avaliadas diretamente, não é possível estabelecer o mecanismo responsável por esse efeito. Em conjunto, os resultados demonstram que o MZ promove comprometimento da atividade mitocondrial, alterações morfológicas e modulação da resposta relacionada à produção de NO em células BV-2, contribuindo para ampliar a compreensão de seus efeitos sobre a micróglia e fornecendo informações relevantes para a investigação dos mecanismos celulares associados à neurotoxicidade de agrotóxicos e sua possível relação com processos neurodegenerativos. |