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Abstract:
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O Complexo Brusque compreende rochas metavulcano-sedimentares de baixo a médio grau com intrusivas associadas, que constituem a principal unidade do Terreno Tijucas no Cinturão Dom Feliciano, no estado de Santa Catarina. Na região sul do distrito Ribeirão do Ouro afloram espessas camadas de metacarbonatos deste complexo, que podem atingir até 200 m de espessura, intercaladas com metarritmitos e metapelitos. Estas rochas são consideradas um importante marco estratigráfico e paleogeográfico, pois possuem evidências paleoambientais reliquiares pré-colisionais, precursora à formação do Complexo Brusque. Porém, esse contexto paleoambiental ainda não é bem entendido. Neste trabalho são apresentados dados faciológicos sedimentares reliquiares e mineralógicos de metacarbonatos que ocorrem na região sul do distrito Ribeirão do Ouro com o propósito de investigar indicadores geológicos que permitam elaborar um modelo paleoambiental desta unidade estratigráfica. A análise petrográfica foi realizada em amostras coletadas em afloramentos, para caracterização dos constituintes mineralógicos e identificação de indicadores paleoambientais. Os resultados mostram que os metacarbonatos são impuros, contendo intercalações de níveis calcíticos e dolomíticos, com laminação plano-paralela de natureza granulométrica e composicional. Essa laminação ocorre especialmente em níveis regulares (~0,5 a 2 mm), contendo cristais de calcita ou dolomita com textura granoblástica fina ou micritica (<0,2 mm). Ocorrem níveis composicionais contínuos (~1 cm a 0,5 mm) contendo lâminas de grafita, além de níveis de metapelitos e metapsamitos (~0,25 a 0,75 mm), por vezes formando intercalações rítmicas com limites abruptos a gradacionais. Essas estruturas sugerem sedimentação por decantação em ambiente de baixa energia hidrodinâmica, com sucessivas mudanças nas condições deposicionais produzindo alternâncias de sedimentos carbonáticos e siliciclásticos. Lâminas de grafita indicam condições de baixa oxigenação, favorecendo a preservação de carbono orgânico. Grãos de pelóides e intraclastos (~0,75 a 2 mm) sugerem sedimentação em ambiente carbonático raso, influenciado por processos de retrabalhamento local permitindo a formação e redistribuição desses grãos. Porfiroclastos de quartzo (~ 0,1 a 0,3
mm) foram observados. Estilolitos preenchidos por grafita são frequentes em macro e microescalas e indicam compactação química durante a diagênese de soterramento, antes do metamorfismo regional. A foliação metamórfica apresenta direção geral NE com mergulhos entre 30° a 40° para SE, e é definida pela orientação dos cristais de grafita, muscovita, clorita e/ou tremolita, com orientação paralela a laminação sedimentar. As evidências faciológicas e mineralógicas indicam que os metacarbonatos registram a deposição original de sedimentos carbonáticos em ambiente marinho relativamente tranquilo, sujeito a variações periódicas no aporte terrígeno e no teor de matéria orgânica. |