Células estromais mesenquimais caninas como modelo translacional: comparação com felinos e humanos
Author:
Leite, Maria Clara Comin Silva
Abstract:
As células estromais mesenquimais (CEM) têm se destacado na medicina regenerativa por seu potencial terapêutico, despertando crescente interesse na medicina veterinária, especialmente para aplicação em cães e gatos. No entanto, estudos comparativos entre espécies ainda são limitados. Este trabalho conduziu uma análise comparativa de dados independentes previamente gerados, a fim de comparar o perfil de células estromais mesenquimais derivadas de tecido adiposo canino (CEM-TAC) com CEM derivadas de tecido adiposo felino e humano (CEM-TAF e CEM-TAH, respectivamente). Em diferentes passagens de cultivo, as células foram avaliadas quanto às suas características fenotípicas, proliferativas e associadas à senescência sob condições experimentais comparáveis. Os parâmetros analisados incluíram a morfometria, o nível cumulativo de duplicação populacional (CPDL), o tempo de duplicação celular (CDT), a atividade de β-galactosidase (β-gal) e as anomalias nucleares. As CEM caninas e felinas apresentaram perfis semelhantes, mantendo crescimento exponencial e morfologia típica até a passagem 3 (P3). Em contraste, o crescimento exponencial das CEM-TAH se manteve até a passagem 10 (P10), apresentando senescência tardia e alterações morfológicas a partir da passagem 15 (P15). Em todos os tipos celulares, observou-se um aumento de anomalias nucleares nas passagens consideradas tardias. Apesar das diferenças, os resultados mostram um padrão para a progressão da senescência entre as espécies, caracterizado pelo acúmulo gradual de características associadas ao fenótipo senescente. Foi identificada uma equivalência funcional entre diferentes passagens, sugerindo que as células podem atingir estados biológicos comparáveis em diferentes estágios do cultivo. Esses dados reforçam a importância da avaliação do estado funcional das células, em vez do número de passagens, contribuindo para comparações mais precisas entre espécies e aumentando a relevância translacional das terapias baseadas em células estromais mesenquimais.