|
Abstract:
|
Embora a hipertensão arterial (HA) possa ser tratada, de 8 a 17% dos pacientes hipertensos apresenta resistência às terapias disponíveis, evidenciando a necessidade de novas abordagens terapêuticas. Evidências acumuladas demonstravam que a inflamação desempenha papel fundamental na gênese e na manutenção da HA. Nesse contexto, a disbiose intestinal contribuí para o comprometimento da barreira intestinal, favorecendo a translocação de bactérias e de seus componentes para a circulação sistêmica, o que intensificava a resposta inflamatória observada nessa patologia. Além disso, estudos clínicos e experimentais demonstram que o consumo de probióticos reduz a pressão arterial (PA) e melhora parâmetros inflamatórios. Apesar dessas evidências, os mecanismos pelos quais a microbiota intestinal interage com o sistema imunológico e influencia a PA ainda não estão completamente esclarecidos. Os receptores Toll-like (TLRs), importantes componentes da imunidade inata, reconhecem padrões moleculares associados a patógenos e são expressos tanto em células imunes quanto em células epiteliais intestinais e endoteliais. Entre eles, o TLR9 destaca-se por reconhecer sequências não metiladas de DNA bacteriano, havendo evidências de sua participação na fisiopatologia da HA. Dessa forma, o objetivo deste estudo foi avaliar, em ratos espontaneamente hipertensos (SHR), a pressão arterial sistólica (PAS), o peso corporal e o índice cardíaco, bem como a expressão de TLR9 no coração, na aorta, no tecido adiposo perivascular (PVAT) da aorta, no baço, nos linfonodos mesentéricos e no cólon intestinal. Foram utilizados ratos da linhagem Wistar, normotensos, e SHR, os quais foram divididos em três grupos: I) Wistar; II) SHR + Veículo; e III) SHR + Probiótico. O tratamento foi iniciado quando os animais completaram 8 semanas de idade. O Lactobacillus plantarum foi administrado por via oral, na dose de 1 × 10⁹ unidades formadoras de colônia (UFC)/dia, durante 10 semanas. A PAS foi medida indiretamente por pletismografia de cauda quando os animais apresentavam 8, 13 e 18 semanas de idade. Os grupos SHR, tratados ou não com probiótico, apresentaram PAS maior em comparação aos animais Wistar. No entanto, a PAS dos animais SHR + Probiótico foi menor em comparação aos SHR + Veículo quando os animais completaram 18 semanas de idade. O peso corporal dos animais SHR, tratados ou não com probiótico, foi menor em comparação aos animais Wistar. Já o índice cardíaco foi maior nos animais SHR, independentemente do tratamento. A expressão de TLR9 foi avaliada por Western Blotting. A razão TLR9/β-actina foi maior nos SHR no coração, aorta, PVAT, baço e cólon em comparação aos Wistar. O tratamento com probiótico reduziu essa razão no coração, PVAT e baço, mas não na aorta ou no cólon. Nos linfonodos mesentéricos, não foram observadas diferenças entre os grupos.Conclui-se que o tratamento com probiótico atenuou a progressão da hipertensão arterial e a expressão de TLR9 no coração, PVAT e SHR, sugerindo um possível papel do TLR9 na interface entre a microbiota intestinal e a hipertensão arterial. |