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Abstract:
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Embora sejam reconhecidos avanços na inserção das mulheres negras no mercado de trabalho, ainda há lacunas na produção científica voltada à compreensão de suas experiências no contexto laboral, especialmente no que se refere às formas de manifestação do racismo, às barreiras de mobilidade e ascensão profissional e aos seus efeitos psicossociais. A pesquisa, intitulada “Mulheres negras: racismo e resistência nas trajetórias laborais”, parte dessa premissa e teve como objetivo compreender de que modo mulheres negras, inseridas no contexto de trabalho, vivem, percebem e enfrentam o racismo em suas trajetórias profissionais. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, realizada com 34 mulheres autodeclaradas pretas ou pardas, maiores de 18 anos, residentes em seis estados brasileiros (BA, DF, GO, RJ, SC e SP) e inseridas em diferentes contextos e formas de trabalho. Foram realizadas entrevistas individuais, em profundidade, nas modalidades presencial e online, conforme a disponibilidade das participantes, a partir de roteiro semiestruturado organizado em três eixos: percepção e vivências do racismo nas trajetórias laborais; efeitos e impactos do racismo nas trajetórias profissionais e de trabalho; e formas de enfrentamento e estratégias de resistência. As entrevistas foram transcritas integralmente com auxílio do software TurboScribe. Os resultados evidenciaram trajetórias marcadas por inserções laborais precoces e precarizadas, manifestações explícitas e veladas do racismo, estereótipos de gênero e raça, desvalorização e questionamento da competência profissional, além de barreiras à mobilidade e à ascensão profissional. Essas experiências também apresentaram repercussões na saúde física e mental e nas relações socioprofissionais. Foram identificadas diferentes práticas de resistência e estratégias de enfrentamento, incluindo o letramento racial, a autodefinição e autodeterminação, a formação e qualificação profissional, a ocupação de espaços e a construção de redes de apoio. A família, a espiritualidade e a educação também se constituíram como importantes pilares de sustentação. Os resultados apontam ainda para mudanças geracionais na construção da consciência racial e nas formas de perceber e enfrentar o racismo. Conclui-se que as trajetórias laborais de mulheres negras são atravessadas por experiências de racismo e barreiras profissionais, mas também pela construção de estratégias de resistência, contribuindo para ampliar a reflexão sobre as relações entre racismo, gênero e trabalho no campo da Psicologia do Trabalho e para fortalecer o debate sobre equidade e transformação dos ambientes laborais. |