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Abstract:
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A produção aquícola tem superado a pesca, e a ostreicultura se destaca nesse crescimento. O Brasil ocupa a 17ª posição mundial, com Santa Catarina respondendo por cerca de 90% da produção. A nutrição é etapa fundamental já que ostras do gênero Crassostrea não sintetizam quantidades suficientes de ácidos graxos poli-insaturados (PUFAs), como o ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosahexaenoico (DHA), dependendo exclusivamente da dieta de microalgas. A diatomácea Phaeodactylum tricornutum é fonte desses compostos, mas seu perfil lipídico varia conforme as condições de cultivo, tornando a lipidômica essencial para compreender essa variação. Este trabalho teve como objetivo avaliar a composição lipídica de P. tricornutum, com ênfase na distribuição de PUFAs, EPA e DHA entre classes lipídicas, visando contribuir para a otimização nutricional na ostreicultura. A microalga foi cultivada em três meios (f/2, Conway e comercial b-algae), em triplicata biológica, sob 20 °C, fotoperíodo 12:12 h e 600 µmol fótons m⁻² s⁻¹. As células foram coletadas na fase exponencial, lavadas com formiato de amônio e armazenadas a −80 °C. A extração lipídica seguiu uma variação dos métodos de Bligh & Dyer (1959) e Folch (1957). As análises foram realizadas por UHPLC-MS/MS (Xevo G3 QTOF, Waters) em modos positivo e negativo, com aquisição combinada DIA e DDA. O processamento foi feito no MZmine e a análise estatística no MetaboAnalyst (PCA, ANOVA, Tukey e teste t, p ≤ 0,05). Foram detectadas 6.541 e 3.734 features nos modos positivo e negativo, respectivamente, das quais 191 e 88 foram anotadas. Houve predominância de fosfolipídios, especialmente fosfatidilcolina (PC) e lisofosfatidilcolina (LPC), além de esfingolipídios, lipídios betaínicos, glicolipídios típicos de microalgas, glicerolipídios e ácidos graxos livres. Identificaram-se 124 features contendo PUFAs, predominantemente associadas a glicerofosfolipídios (PC e LPC), seguidas por lipídios betaínicos, fosfatidiletanolamina (PE) e lisofosfatidiletanolamina (LPE), além de esfingolipídios, glicolipídios e triacilgliceróis. O EPA foi identificado em 27 features, distribuídas entre PC/LPC, DGTS/LDGTS, DGDG, MGDG, SQDG, PE/LPE e ácidos graxos livres, enquanto o DHA foi identificado em apenas 5 features, associadas a PC, LPC, PE, LPE, DGTS e LDGTS, evidenciando predominância e maior distribuição do EPA. Os resultados demonstram que P. tricornutum apresenta perfil lipídico rico em fosfolipídios e ampla distribuição de PUFAs, com EPA mais abundante e distribuído que o DHA. Esses achados contribuem para a seleção de microalgas com perfil nutricional adequado à ostreicultura, com potencial de otimização de dietas e valorização do produto final, além de reforçar a importância da lipidômica para a aquicultura sustentável, a saúde e a qualidade de vida. Durante o ciclo, também foram realizadas revisão bibliográfica, participação em reuniões de grupo e eventos científicos, e elaboração do relatório final. |