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Abstract:
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A pecuária de precisão, também conhecida como zootecnia de precisão, tem ganhado destaque por promover o monitoramento dos animais por meio de ferramentas tecnológicas, visando uma melhor gestão e produtividade das fazendas. Essas transformações impactam o bem-estar animal, a relação humano-animal e o trabalho rural. O presente estudo teve como objetivo identificar as percepções de estudantes de Ciências Agrárias sobre tais tecnologias e seus possíveis impactos. Para isso, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com cinco grupos focais, compostos por estudantes dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia (n = 25 participantes). As entrevistas abordaram a conceituação do termo "pecuária de precisão", as tecnologias conhecidas, a abordagem dessas ferramentas no ambiente acadêmico e percepção sobre seus possíveis impactos para o produtor, para os animais e para o produto final. Os dados foram analisados por meio de Análise Temática Reflexiva. O termo "pecuária de precisão" foi predominantemente associado a recursos tecnológicos, em que se destacou uma visão positiva quanto à implementação dessas ferramentas, sobretudo no controle de índices zootécnicos, no aumento da produtividade e no bem-estar animal. Foram mencionadas 14 diferentes tecnologias, destacando-se, pela maior frequência, os softwares e as ordenhadeiras automatizadas/robotizadas, sendo esta última a única citada em todos os grupos. Houve uma queixa recorrente entre os grupos quanto à necessidade de atualizações no currículo acadêmico e à discrepância na abordagem das transformações tecnológicas entre os docentes. Além disso, os estudantes associaram frequentemente o ensino dessas tecnologias à realização de aulas práticas, independentemente da quantidade de aulas lecionadas. Quanto aos impactos, os acadêmicos evidenciaram as interferências positivas das tecnologias na relação humano-animal, o alto custo de investimento e o aumento da disparidade entre pequenos e grandes produtores. Diante desses fatores, conclui-se que o meio acadêmico deve estimular uma reflexão mais crítica sobre os valores, interesses e significados que orientam os estudantes em relação às transformações tecnológicas, evitando a reprodução de discursos produtivistas e utilitaristas consolidados pelo mercado. Essa tendência pode refletir vieses dos pesquisadores e valores sociais mais amplos, que tendem a enquadrar a tecnologia como algo inerentemente positivo e benéfico sob o paradigma da produção intensiva. |